Recantos do Natal

1. Como falar do Natal? Evitar o tema porque ele está carregado de lugares comuns? Maldizer a sociedade de consumo? Apontar o dedo às ceias onde se contam as horas para que acabe? Não esperem isso de mim. O Natal é um tempo aconchegado. Das minhas consoadas portuguesas e alemãs, com bonecos de neve e … More Recantos do Natal

A razão pela qual este blog tem estado quase abandonado

Sabem porque é que o Pai Natal não existe? Porque é homem. Ou estão a ver um homem a preocupar-se a escolher o presente certo para cada amigo e pessoa da família, ele que nem compra as próprias camisas? Que vai carregar nas costas um saco pesadíssimo, ele que reclama até para colocar o lixo … More A razão pela qual este blog tem estado quase abandonado

O pijama de flanela

Falar dela não é difícil, preciso de três verbos: acolher, sorrir, dar(-se). Falo da minha mãe que vou buscar ao aeroporto, mais frágil, envelhecida, numa cadeira de rodas, mas com a menina que é a espreitar-lhe dos olhos verdes. Ela sempre foi mapa, o meu mapa como no poema,”vou emigrar de ti, levo a tua … More O pijama de flanela

A árvore de Natal

1.Começo pelo fim. O chocolate fumega na chávena. Escalda ao tocar das mãos. Enquanto espero que arrefeça, mexo lentamente a cobertura espessa do meu bolo preferido. Gosto tanto de ter na mesa de domingo um bolo. Degusto o tempo e o silêncio. Abro o Die Zeit, que pode ser, pelo seu formato, difícil de ler, … More A árvore de Natal

A vingança

Primeiro acto: “Let’s start at very beginning/A good place to start”. Comecemos então pelo princípio. Entre este apontamento e o “Conde de Monte Cristo” há semelhanças e não são pura coincidência. Em ambos os casos se trata de uma crónica de vingança. Bem o que vou contar não terá a intensidade emocional de Edmond Danté, … More A vingança

Feliz Natal!

Tive o privilégio de crescer a acreditar na bondade, na nobreza humana. Herdei um mapa do belo, dos territórios familiares do afecto e da pertença. O cheiro do pão quente ao romper da manhã, o pão-de-ló caseiro, o reflexo da lua nos carris do eléctrico, a interpelação diária do Tejo, o céu de Lisboa, azul … More Feliz Natal!

Prelúdio de Natal

Que manhã tão bonita! Acordei com o levíssimo rumor da neve a cair e com vontade de dizer bom dia à vida. As maravilhas do mundo são tantas, tantas, mas uma das minhas preferidas é o tempo de Advento. Estes dias serenos de preparação para o Nascimento do menino-Deus, que nos ajuda “a tecer a … More Prelúdio de Natal

Anjos

Correm as horas. Vorazes. Dizemos que não temos tempo, quando nunca fomos tão livres para escolher o que fazer com ele. Vivemos num palco de extraordinárias expectativas, inatingíveis. Quantas vidas vivemos por procuração? Ou quanto medo temos de ser sentimentais, num mundo asséptico de sentimentos?  Mas há, na era do individualismo e da indiferença quem … More Anjos

Zrzuty*

13 de Dezembro 1981. Viviam-se dias de chumbo, eléctricos e fascinantes na Polónia. Enredada no colapso económico e na violência política, a liberdade era uma flor de inverno, grito de cor entre a neve. O conselho militar tomou o poder em Varsóvia, milhares foram detidos, as manifestações calcadas com bota militar. Escasseava tudo, menos a … More Zrzuty*

Sabor a Natal

Ofereceram-me uma preciosidade. Duas abóboras gilas. Daquelas que se partem atirando-se ao chão. E que com açúcar, canela, amêndoa torrada, colher de pau e carinho se transformam em doce. Autêntico. Com fiapos a saracotear-se na ponta da língua, condimentando a lembrança. Na página já marcada pela viagem dos dedos leio a receita, espantando esse intruso … More Sabor a Natal

Contagem decrescente para o Natal

A minha filha de sete anos adora Playmobil. Estábulos da Playmobil, ambulâncias da Playmobil, barcos de piratas da Playmobil, pirâmides egípcias da Playmobil. Enfim, um “Playmobil Welt”, como ela chama à metade do quarto tomada de assalto pelas figurinhas alemãs, concorrentes da Lego. Agora que os dias são descorados, curtos, e gélidos, e a neve … More Contagem decrescente para o Natal