Pipocas

            No português melodioso do Brasil há palavras que nós portugueses não usamos e onde cabem mundos.  Hoje descobri uma nova. Piruá. É o nome dado aos grãos de milho que não rebentam, não se transformando em pipocas.  O autor brasileiro Ruben Alves escreveu que “tem muita gente piruá neste planeta”. Pessoas que não … More Pipocas

Dói-me o tempo

        Esta manhã quando liguei a radio estava a dar a irónica e provocadora prece de Janis Joplin “Oh Lord…” Sai do Hotel e detive-me a conversar uns minutos com uma idosa que pede em frente à Igreja da Recoleta. Mariluz teve 14 filhos, vários morreram, outros estão no Brasil ou espalhados pela Bolívia. … More Dói-me o tempo

Cochabamba a felina 

          Cochabamba é uma cidade que nos agarra pelo pescoço como um felino e nos coloca no colo para um diálogo de delicadezas. Eu explico. Não é fácil aqui chegar, exige esforços  quase acrobáticos, desta vez “apenas” , nem da distância. “As paisagens externas iluminam a nossa paisagem interior para o bem e para o mal”. Tenho … More Cochabamba a felina 

Atropelada

Desatenta ou concentrada, Cochabamba sempre me atropela. Não falo do trânsito caótico, exceptuando algumas tangentes feitas pelas geringonças que aqui circulam, além dos impropérios dirigidos à minha doce mãe, tenho conseguido manter-me viva. Falo de coisas ligadas aos sentimentos. A questão aliás nem sequer é geográfica e se me refiro a Cochabamba, é porque aqui … More Atropelada

Nano-post

Cochabamba é cidade de cores tão fortes que se alojam nos sonhos: rosa, laranja, amarelo, verde, caramelo. Cores selvagens de Gaugin sob céus andinos. Baixo o olhar sobre as cholas na Plaza, no mercado e deslumbro-me. A felicidade tem uma escova de dentes em muitos lugares.

Manual de sobrevivência ao táxi boliviano

1. Jamais vista calças brancas (sempre que se sentar levantará uma nuvem de pó de fazer inveja aos todo o terreno do Paris-Dakar). Vista jeans (reforçados) para não sentir as molas soltas do assento. 2. Aconselha-se o uso de tampões de ouvido ou vacina anti-pimba latino-americano (cujas letras são recorrentes: amor não correspondido e ciúmes … More Manual de sobrevivência ao táxi boliviano

Até já

Parto para a Bolívia. Passei por aqui para dizer até já pedindo a palavra emprestada a Sophia. Há cidades acesas na distância, Magnéticas e fundas como luas, Descampados em flor e negras ruas Cheias de exaltação e ressonância. Há cidades acesas cujo lume Destrói a insegurança dos meus passos, E o anjo do real abre … More Até já

O sistema – take 2

Adoro historias estranhas, quanto mais improváveis melhor. Em particular quando me acontecem a mim. A noite foi curta. Às duas da madrugada já estava ao telefone com a agência para me encontrarem um voo com destino à Alemanha. Depois de muitos emails “é impossível”, “está tudo lotado”, chegou pelas nove da manhã a noticia redentora: … More O sistema – take 2

O sistema

Afirmar que o rosto mudou de cor é uma convenção literária. Mas foi o que me aconteceu esta manhã no balcão de check-in da Avianca. “Não encontramos o seu voo no sistema”. “Como?” . ” Não encontramos o seu voo”. Argumento mostrando a versão impressa com itinerário Santa Cruz -Lima-Bogotá-Frankfurt. “Sim, eu sei que a … More O sistema

Sob céus andinos

1. Devo à espanhola Icíar Bollaín (realizadora de “Tambíen la lluvia”, que venceu o prémio do público na Berlinale em 2011) ter visitado Cochabamba mesmo antes de apanhar o meu voo de Frankfurt. No ano 2000 o Banco Mundial forçou o presidente boliviano, Hugo Banzer, a quem alguns chamam chamam ex-ditador, como se um ditador … More Sob céus andinos

Cruzamentos

1.Escrevo sentada no aeroporto de Buenos Aires, com a cabeça cheia de tango, enquanto o espero pelo voo atrasado que me levará a Cochabamba. Para distrair o espírito durante a viagem li a biografia de Werner Guttentag, judeu alemão de Breslau, que escapou à treva nacional-socialista , fugindo para a Bolívia em 1939, tinha então … More Cruzamentos

Passei por aqui para vos desejar Páscoa Feliz

Agora essa. Uma pessoa prepara-se para ser docente num seminário de jornalismo na Bolívia ( se sobreviver ao voo com a Boliviana de Aviación), numa cidade cujo nome em Quechua significa “planalto pantanoso”. Uma pessoa mentaliza-se para o facto de ir passar as próximas  duas semanas a comer batatas, “Locro”, “Pampaco” e “Empanadas” e beber mate. … More Passei por aqui para vos desejar Páscoa Feliz