Isabel dos Santos, petrodólares e abutres

A realidade não é a preto-e-branco. Certo. Mas em alguns momentos é tão previsível. Como esta notícia . Isabel dos Santos, a filha mais velha do presidente de Angola, tornou-se na primeira bilionária africana, segundo a revista norte-americana Forbes. As ações de empresas cotadas em Portugal, caso do BPI e da ZON, juntamente com activos … More Isabel dos Santos, petrodólares e abutres

Arquivo Digital sobre as lutas coloniais

A Fundação Mário Soares vai lançar, na sexta-feira, uma plataforma que disponibilizará na Internet documentos de arquivos públicos e privados dos países de língua portuguesa, pretendendo auxiliar principalmente os investigadores. “Trata-se de criar uma plataforma de uma comunidade de arquivos de língua portuguesa, juntando arquivos públicos e privados, desde já alguns de Portugal, Guiné-Bissau, Cabo … More Arquivo Digital sobre as lutas coloniais

Aerograma

Não sei se se lembram dos “bate-estradas” ou “corta-capins”, os aerogramas enviados aos e pelos soldados portugueses no Ultramar? Pedaços de papel que aquietavam ou desassossegavam corações. Chegavam sempre atrasados à vida, embora eternizassem momentos. Que não dariam eles para trazer palavras com olhos? Iluminando poentes cor de sangue. Iludindo o medo, as emboscadas, a solidão … More Aerograma

Princípios, guerra, pobreza: anotações à margem do Natal

1.O eterno destino dos princípios: embora todos professem tê-los, o mais provável é serem sacrificados quando se tornam inconvenientes. A constatação, tão verdadeira como dura, foi feita por Susan Sontag num ensaio sobre a coragem e a resistência. Deixem-me fazer aqui um parêntesis para vos falar do F. Conheci-o no local onde costumo tomar café … More Princípios, guerra, pobreza: anotações à margem do Natal

Anjos

Correm as horas. Vorazes. Dizemos que não temos tempo, quando nunca fomos tão livres para escolher o que fazer com ele. Vivemos num palco de extraordinárias expectativas, inatingíveis. Quantas vidas vivemos por procuração? Ou quanto medo temos de ser sentimentais, num mundo asséptico de sentimentos?  Mas há, na era do individualismo e da indiferença quem … More Anjos

O mundo é um T0

“Meme” (Grande mãe) Helen. Gostava que acompanhasse hoje uma reportagem importante. É aqui perto. E é muito importante”. Não havia como recusar o pedido da directora da NBC Oshiwanyama. Perguntei qual era o tema: o início (simbólico porque estamos em época de chuvas) da construcão de uma estrada de gravilha, com a presença do ministro … More O mundo é um T0

Oshakati

Teimo em não conseguir andar muito tempo por este Norte sem devolver-me ao silêncio do deserto, ou aos murmúrios da noite africana.  Teimo em continuar a dar, sempre que possível, um salto ao Sul. A mala está quase feita. E entrei em modo  de contagem decrescente. De um amigo, conselheiro bem intencionado e profundo conhecedor … More Oshakati

Consegue Eduardo dos Santos dormir descansado?

Luanda tem uma das mais belas baías do mundo, uma beleza de cartão-postal, mas não é isso que me impressiona. O que me impressiona é a cacofonia, o som confuso, caótico, milhões enlatados num espaço que não foi pensado para tantos. Pujança e pobreza. Felicidade e infelicidade. Ostentação e luta pela sobrevivência. A melodia de … More Consegue Eduardo dos Santos dormir descansado?

Ligações perigosas

Lembrei-me hoje do retrato de Maquiavel, no Palazzo Vecchio, em Florença. Nessa pintura o aristocrata florentino tem um sorriso enigmático, de Giocconda, os lábios cerrados refreiam a emoção, reforçam a impenetrabilidade, e o olhar parece zombar da cupidez dos homens. Maquiavel, tido como o pai da ciência política, adoptou o realismo político, sem ilusões e justificar todas as perfídias como meios para alcançar um … More Ligações perigosas

(Mais) uma boa razão para ler o Público

“ Angola, os mitos e a realidade em discurso directo pelos emigrantes portugueses”, é o título de um excelente trabalho jornalístico do Público. A ler para quem não quer andar às cegas. Trata-se de um ensaio sobre a nova vaga migratória portuguesa, comparável à dos anos 1960, sobre os riscos profissionais que se correm, sobre … More (Mais) uma boa razão para ler o Público

Coisas de espantar (ou talvez não)

Há em Portugal, muita gente, jornalistas incluídos, que é alérgica ao Pedro Rosa Mendes. Por motivos variados.  Não andarei muito longe da verdade ao presumir alguma invejazinha por detrás da “alergia”. Adiante. Recentemente o i noticiava o suposto pedido de desculpa de Pedro Rosa Mendes ao presidente angolano. Artigo que rapidamente se espalhou pelos murais … More Coisas de espantar (ou talvez não)

Inquietações

“Angola inverteu, através do sistema financeiro, a relação colonial: Portugal foi colonizado através da finança, banca, energia e telecomunicações. São sectores vitais que hoje controlam indirectamente o que se pode ou não dizer na imprensa portuguesa. Quem não vir isso é ingénuo. Há uma vaca sagrada que é Angola, não se toca. Se se chama … More Inquietações

O Pedro

Disclaimer: O Pedro Rosa Mendes é meu amigo e um dos jornalistas que mais admiro em Portugal. Pela verticalidade, pela seriedade, pelo talento e maestria com que usa as palavras e sobretudo pela Independência. Trocámos várias mensagens durante a emissão o “Reencontro” na RTP 1 e numa delas o Pedro disse-me “vou escrever uma crónica … More O Pedro

Occupy África

Não cabe no script. Dirão alguns que este não será o melhor momento para se falar sobre pobreza em África. Com as câmaras atrás dos despojados europeias e os holofotes apontados para os caixotes do lixo gregos. Discordo. Este é seguramente um dos melhores momentos para se olhar para a pobreza extrema. Para os milhões … More Occupy África

Sustos…

 1. Em Berlim vive-se uma situação deveras curiosa. Um “não-partido” de geeks, chamado os   Piratas, que ganhou os seus galões a defender a liberalização das drogas leves, a privatização da religião, a proibição da videovigilância policial e o fim dos direitos autorais tomou de assalto a Rotes Rathaus. Foi o verdadeiro vencedor da noite eleitoral … More Sustos…

A Lunda-Norte ali tão longe, aqui tão perto

São eternos. Quase tão perene como eles é o horror que perpetuam. O brilho de cada diamante angolano é sujo. Encerra um inferno de exploração, humilhação, abuso, tortura, crime e corrupção. Em “Diamantes de Sangue – Corrupção e Tortura em Angola”, lançado hoje em Lisboa, o jornalista angolano, Rafael Marques – distinguido internacionalmente pelo seu … More A Lunda-Norte ali tão longe, aqui tão perto

O palco é para ele, e só para ele. Até quando?

Alguns apocalipses estão prometidos em África. Inquieta-me pensar que Angola possa ser um deles. Os sinais estão todos lá. Se o olhar não se deixar ofuscar pelo brilho de Luanda ou embaciar pelos petrodólares constata que o rei vai nu. E que o chefe, que não tolera rivais nem sucessores,  começa a vacilar. A violência … More O palco é para ele, e só para ele. Até quando?

Surprise, surprise

Luanda é a cidade mais cara do mundo para expatriados e isto pelo segundo ano consecutivo. Esta é  uma das  conclusões de um estudo  realizado pela Mercer. Tóquio permanece na segunda posição e N’Djamena, no Chade, na terceira. Segue-se Moscovo, na quarta posição, Genebra na quinta e Osaka na sexta. Zurique sobe um lugar, ocupando … More Surprise, surprise

Merkel em Angola

LUSA- O desenvolvimento das relações económicas entre a Alemanha e Angola, praticamente inexistente até ao fim da guerra civil angolana, tem tido na última década uma dinâmica crescente, interrompida, porém, pela crise económica e financeira internacional. A visita oficial da chanceler Angela Merkel a Angola, na terça-feira e na quarta-feira, destina-se, por isso, a tentar … More Merkel em Angola

Se isto é um país

Em Angola trocam-se favores sexuais nas prisões por comida. A liberdade de imprensa dilui-se a gosto. Os impunes estão cada vez impunes e mais ricos. Escandalosamente ricos. Vista dos vidros fumados, dos condomínios fechados de Luanda, a fome na berma do país não tem cor. É transparente. Não vem no Bilhete de Identidade. O destino do país … More Se isto é um país

A nova ordem por vir

Desde a independência que Angola se move numa espiral que hipoteca o seu desenvolvimento. A não-manifestação de 7 de Março é o espelho do país. Reflecte a asfixia. E o medo. Porque é  irrisório falar-se de democracia em Angola.  No entanto os angolanos não saíram à rua, porquê? Há explicações várias para a não inscrição … More A nova ordem por vir

Reconstrução angolana made in China

É um clássico angolano. Azar ser-se pobre num país escandalosamente rico. Façamos uma cronologia breve. Inaugurou-se há quatro anos e trata-se do primeiro hospital público construído em Angola desde a independência do país em 1975. Um cicio da promessa joseeduardista de reconstrução nacional após 37 anos de guerra civil. Em Junho de 2010, o Hospital … More Reconstrução angolana made in China

Voam pelas ruas tão leves como penas

A Guiné-Bissau é um país especial. O Estado entrou em queda livre depois do conflito de 1998-1999. A última década foi de crises cíclicas, as quais resultaram na degradação progressiva do funcionamento do aparelho estatal e das condições de vida das populações, o que também afectou espírito guineense. Muitos daqueles jovens africanos que se metem … More Voam pelas ruas tão leves como penas

Never ending story…

O longo folhetim do caso Angolagate  estará próximo de um desenlace ? O caso conhecido na justiça francesa como Angolagate recomeça na quarta-feira, em Paris, com o julgamento em recurso do empresário Pierre Falcone, acusado de tráfico de armas, branqueamento de capitais e fraude fiscal. O empresário francês, que tem também nacionalidade angolana e que … More Never ending story…

Meninos de ninguém

  Nenhum outro continente tem sido tão usado, explorado e mal interpretado. Marionete das vontades e  avidez de outros, do colonialismo ao teatro  da  guerra-fria, até ao actual capitalismo selvagem de matriz africana. Perceber a África é compreender o mundo  cínico e egoísta no qual vivemos. Em cidades africanas, como Luanda,  coabitam o brilho metálico das torres e … More Meninos de ninguém