Almas gémeas

No café ouvi alguém falar da sua “alma gémeas”. Para mim a ideia de alma gémea é uma chatura. Se procuramos alguém igual mais cedo ou mais tarde fazemos uma luta mortal. Prefiro outra expressão popular: ‘quem ama o feio, bonito lhe parece’. Eu preciso da diferença, do desafio, do contraste.

Micro conto ( qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência)

A mensagem apareceu na caixa de mensagens sem se fazer anunciar. E sem que se atinasse porque escolhera aquele poiso. Eliminá-la de imediato? Detenho-me não seria humano eliminar a mensagem só porque trazia flores kitsch e letras que rodopiavam. Algoz em perspectiva da mensagem penso que não incomoda, é como alguém que viesse fazer companhia durante … More Micro conto ( qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência)

Surdos 

Foram cinco dias em Lisboa a ouvir histórias. Mais ou menos íntimas, pequenos e grandes sonhos, angústias e felicidades. Quase todas elas fora norma, inesperadas.  Uma amiga flirta com a ideia de, tendo como capital uma herança criar uma ONG de empoderamento de mulheres em Cuba. Outra planeia fazer a mítica Route 66 com um … More Surdos 

Os chatos

Quem não tem um amigo chato que levante a mão.  Em abono da verdade os amigos chatos são um grande empecilho. São como as enchentes, que puxam pela terra e arrancam o lixo. O nosso.  Os amigos chatos avisam sobre perspectivas possíveis e são terrenos, tão por terra que nos dizem: “estás a ser egoísta” … More Os chatos

Conto de Ano Novo

Havia um muro de pedra que bordava o caminho. Bordava e ainda borda. Eu é não passo naquele caminho há muito tempo, nem vejo a silhueta do muro recortada contra o céu a despedir-se da noite. Nem prendo o olhar nas maçãs bravo-de-esmolfe, nos  medronheiros  ou no pessegueiro ao fundo. Era véspera de Ano Novo. … More Conto de Ano Novo

Dos amores pequenos

“Há de se querer o amanhã”, escreveu no belo poema “Mulher”, Carlos Drummond de Andrade. Por vezes penso  que descobrimos tarde demais na nossa vida três artes: a cozinha, a música e o amor completo. A cozinha não se revela na sua delicadeza e perfeição no ambiente asséptico e formatado da bimby. É um amor … More Dos amores pequenos

Advertências sobre (os escrúpulos da) a fantasia*

Quem nunca sentiu a necessidade de dar sentido à própria vida, mesmo que temporariamente, ou revivê-la? Sou depositária de uma história que me pediram para escrever. Sem julgamentos morais. Os envolvidos traziam consigo a urgência de narrar, de a projectar para além do tempo, do espaço, da precariedade do encontro, procurando habitar o presente absoluto. … More Advertências sobre (os escrúpulos da) a fantasia*

Reciclar com AMOR

Gostava de vos apresentar de um projecto moçambicano de que gosto muito. Trata-se da AMOR, a Associação Moçambicana de Reciclagem, criada em 2009. Actualmente esta ONG já recicla entre 3 e 4 por cento  do lixo produzido no país, e desenvolve várias acções de consciencialização ambiental na s escolas e acções de limpeza na Praia da Costa do Sol. … More Reciclar com AMOR

Esqueci-te o sabor

Esqueci-te o sabor Amor escuta. Esqueci-te o sabor. Soubeste-me a Verão quando me mordias os lábios húmidos e eu fechava os olhos para não os veres espelho do meu desejo. Amor escuta. Sei-te de cor o cheiro quando te afogavas em mim, me prendias pela cintura e enlaçávamos os dedos apagando as estrelas. O tempo … More Esqueci-te o sabor

Porque é que as mulheres querem falar sempre sobre tudo?

O que pode dizer a um homem após o sexo? O que se quiser. Ele está a dormir. A piada é recorrente entre terapeutas e é um raio X daquilo que distingue homens e mulheres. No caso das mulheres o ser-se íntimo de alguém envolve partilha. As mulheres não se sentem bem na solidão acompanhada. … More Porque é que as mulheres querem falar sempre sobre tudo?

Fome de ti

Analfabeta de ti, demorei a ler-te. Tinhas o tempo que era o das frases cadenciadas com vírgulas de pele transpirada. Percorri-te as páginas na desordem do sangue, num doce engano de sermos dois. De lava os beijos solidificaram, perderam a vertigem. Sinto fome de ti, substantivo sem adjetivo possível. Helena Ferro de Gouveia

Quem disse que o amor não pode ser científico?

É um lugar comum dependurar uma factura nos fatos dos cientistas: são loucos. Não me perguntem porquê ( eu sou uma mulher de ciências sociais) mas no meu círculo de amigos e conhecidos há muitos cientistas, físicos  e engenheiros apaixonados por física ( os maiores chatos do mundo quando se trata de jogar bilhar ou de … More Quem disse que o amor não pode ser científico?

Momento romântico

Namoro Mandei-lhe uma carta em papel perfumado E com letra bonita eu disse ela tinha Um sorrir luminoso tão quente e gaiato Como o sol de Novembro brincando De artista nas acácias floridas Espalhando diamantes na fímbria do mar E dando calor ao sumo das mangas Sua pele macia – era sumaúma… Sua pele macia, … More Momento romântico

A arte da fuga

Deixámos de sentir o encosto dos lábios, o enlaçar dos dedos, o olhar íntimo da noite. Não escutamos o pulsar do sangue, o fascínio das promessas. Vivemos com expectativas enormes. Cépticos, entregamo-nos cada vez menos e pensamos cada vez mais. E se este ainda não for o amor que nos muda a vida? Não queremos … More A arte da fuga

Ser mãe é…

Procurar em vão na gaveta as meias de desporto novas que ainda ontem lá estavam. Descobrir que a mala que ficava tão bem com a roupinha de hoje foi “requisitada” pela teen. Fazer da frase: “vai arrumar o teu quarto” um mantra. Ter um calendário de marcações para as amigas das filhas que ficam para … More Ser mãe é…