Da desilusão

Quando eu era adolescente e sofria desilusões lamentava profundamente não ser mais parecida com a minha grande amiga de infância. Cresci e continuei a pensar o mesmo. Foram inúmeras as ocasiões em que eu a vi desapegar- se completamente de pessoas que, de uma forma ou de outra, foram desleais, que a tinham desiludido ou … More Da desilusão

O corte em capítulos 

Tenho uma mania: a de tentar dar importância ao desimportante e dar significado ao insignificante. Procuro que o olhar vá mais além e com devoção o melhor nos outros. Insurjo-me contra o egoísmo.  Esta rebeldia ou inocência opcional tem-me permitido conhecer pessoas maravilhosas nos locais mais inesperados e não ficar amarga com as almas deformadas … More O corte em capítulos 

Um mero polícia 

Partilhamos aquele tipo de amizade que resiste à distância, aos desencontros da vida e às diferenças todas.  Temos conversas que são como fogo amigo, sinceras e muitas vezes dolorosas, já perdi a conta às vezes já me zanguei e reconciliei com ele. Somos uma espécie de fósforo e gasolina.  Na última conversa e enquanto eu … More Um mero polícia 

Os chatos

Quem não tem um amigo chato que levante a mão.  Em abono da verdade os amigos chatos são um grande empecilho. São como as enchentes, que puxam pela terra e arrancam o lixo. O nosso.  Os amigos chatos avisam sobre perspectivas possíveis e são terrenos, tão por terra que nos dizem: “estás a ser egoísta” … More Os chatos

Toma conta de nós 

Os nossos amigos de infância nunca são pessoas comuns. São o pavimento da memória de dias felizes, de um tempo mágico onde tudo estava certo. Achamos que nada pode acontecer aos nossos amigos de infância com a mesma naturalidade com que à  mesa do café se conversa de trivialidades. Será por inocência? Pelo medo de … More Toma conta de nós 

Os mortos

Convivem a paredes meias nos classificados dos jornais: a morte e o amor descartável, desse baratinho e sem qualquer réstia de beleza. Confesso, sou viciada nestas secções. Leio os elogios póstumos separando-os nas categorias “de pacotilha” – circunspectos e aborrecidos, não mereceria o morto melhor? A dor paralisa? – e “de coração” – onde cabe … More Os mortos

Advertências sobre (os escrúpulos da) a fantasia*

Quem nunca sentiu a necessidade de dar sentido à própria vida, mesmo que temporariamente, ou revivê-la? Sou depositária de uma história que me pediram para escrever. Sem julgamentos morais. Os envolvidos traziam consigo a urgência de narrar, de a projectar para além do tempo, do espaço, da precariedade do encontro, procurando habitar o presente absoluto. … More Advertências sobre (os escrúpulos da) a fantasia*

Paciência e atalhos

Sobre o que é mesmo que eu ia escrever? Esperem um bocadinho…Calma. Já sei. Sobre paciência. Mas antes disso uma pergunta: sabe, como se chama à falta de memória no Brasil ? Manifestação do “alemão”. Só mesmo os brasileiros para conseguirem fazer humor com algo tão sério como o Alzheimer. Se eu fosse Deus também … More Paciência e atalhos

Ein Mann, ein Wort – eine Frau, ein Wörterbuch*

Há pessoas que entram na nossa vida de pantufas, como os gatos.  Não nos lembramos bem quando. Depois tornam-se indispensáveis.  Sem usar palavras dizem a frase certa. Basta um olhar cúmplice eloquente, dois dedos de uma mão passados pelo rosto, um sorriso aberto. Inspiram liberdade, nunca nos pertencem por inteiro, mas é esse mistério, essa … More Ein Mann, ein Wort – eine Frau, ein Wörterbuch*

Porque a amizade pura é mais rara que os diamantes

 “Os amigos têm de ser inúteis. Isto é, bastarem só por existir e, maravilhosamente, sobrarem-nos na alma só por quem e como são. O porquê, o onde e o quando não interessam. A amizade não tem ponto de partida, nem percurso, nem objectivo”. Miguel Esteves Cardoso  Feliz Natal a todos os que me dão o … More Porque a amizade pura é mais rara que os diamantes

O dilema do blogger

Este blog estará em viagem até dia 22 de Novembro. Se o “deus” da internet africana o permitir irá sendo actualizado . E  vai servir para partilhar as pessoas, os cheiros, as cores e os sons da Terra que me acolhe… Moçambique! Kanimambo aos amigos que  o seguem dando-lhe  um numero de cliques diários cada vez maior.

Capítulos em aberto

Sem se fazerem anunciar voltam a  cruzar-se no nosso caminho. Há pessoas do passado que nos alegra que voltem, que nos enchem o dia de sol , mesmo que esteja nublado,  só por dizerem olá. Cujo sorriso é de orquídeas e estrelícias éfemeras. Como nos ( bons) romances a vida evolui de capítulo em capítulo,  não é um … More Capítulos em aberto