Os ténis brancos  

Há alturas em que despertava sobressaltado a meio da noite com receio de ser descoberto. Apareciam-lhe personagens, vindas de um canto obscuro e desconhecido da sua mente. Escutava suspenso, com os ombros contraídos e as mãos fechadas, quando tinha a certeza que não ouvia nada e o medo se esfumava voltava a adormecer. Geralmente acordava … More Os ténis brancos  

A carta

Nessa manhã e um tanto contra os meus hábitos de divorciado, acordei cedo, sem me espreguiçar ou agasalhar um mais o corpo ao conforto dos lençóis mornos. Ergui-me de um salto da cama de casal. O coração numa batida louca. Procurei a moldura na mesa de cabeceira. Contemplei-a. O pescoço elegante adornado de pérolas redondas … More A carta

Conto de Ano Novo

Havia um muro de pedra que bordava o caminho. Bordava e ainda borda. Eu é não passo naquele caminho há muito tempo, nem vejo a silhueta do muro recortada contra o céu a despedir-se da noite. Nem prendo o olhar nas maçãs bravo-de-esmolfe, nos  medronheiros  ou no pessegueiro ao fundo. Era véspera de Ano Novo. … More Conto de Ano Novo

A pulseira

Acordou com a pulseira a magoar-lhe o pulso. É um belo trabalho de prata e âmbar, comprada em Setembro ao entardecer, numa loja de porta fechada em Varsóvia, daquelas para turistas dispostos a gastar mais que o habitual e com tempo para escutar histórias. O dono da loja meteu conversa. Disse que os marinheiros antigos … More A pulseira