Desejos para 2021

Desejos para 2021 Que Corona volte a ser apenas uma cerveja Que quando nos encontrarmos demos um passo em frente e não um atrás Que Positivo volte a significar isso mesmo Que os Testes só tenham lugar na escola Que Isolamento seja apenas para cabos eléctricos Que possamos usar Máscaras para festejar o Carnaval Que … More Desejos para 2021

E o passado aqui tão perto

Abruptamente falamos do início do ano como se de um passado longínquo se tratasse e introduzimos palavras pouco usuais no nosso vocabulário: confinamento, desconfinamento, distanciamento social. Falamos do “R” como se fosse aquele tipo rezingão que ninguém suporta. O que parecia impossível, aulas em casa, teletrabalho, fronteiras fechadas, aviões parados, tornou-se o possível.As redes sociais … More E o passado aqui tão perto

Ninguém é uma ilha

Em Lost Connections, Johann Hari escreve sobre as suas décadas de trabalho nas áreas do  trauma e da saúde mental e explica por que acredita que na origem de  quase tudo  o que sofremos está uma conexão cortada que nunca descobrimos como reparar. A dado momento, Hari refere-se a uma clínica de obesidade, onde os … More Ninguém é uma ilha

Rosas da Síria

Vou contar uma história. Provei pela primeira vez água de rosas num jantar tradicional em casa de um casal iraniano. Bebi-a num copo belíssimo e sentada, com modéstia, sobre um tapete. Na ingenuidade dos vinte anos não me apercebi na altura do que continha daquele gesto e estranhei-lhe o gosto. Nunca vi o rosto da … More Rosas da Síria

Migrantes

Quando olham para esta fotografia o que veem ? Eu vejo a minha neta mais nova, que não herdou os olhos castanhos da avó, nem os verdes da mãe, herdou os azuis do pai. Vejo um bebé lindo, de catálogo, pele clara, cabelo cor de manteiga açoreana, olhos cor de mar das Caraíbas. E se … More Migrantes

Os ténis brancos  

Há alturas em que despertava sobressaltado a meio da noite com receio de ser descoberto. Apareciam-lhe personagens, vindas de um canto obscuro e desconhecido da sua mente. Escutava suspenso, com os ombros contraídos e as mãos fechadas, quando tinha a certeza que não ouvia nada e o medo se esfumava voltava a adormecer. Geralmente acordava … More Os ténis brancos  

Vai-te embora. Por favor não leias este texto

Em 2006 uma palavra entrou no dicionários de inglês: “pizzled”, uma amálgama entre “puzzled” (perplexo) e “pissed off” (fulo). Esta palavra designava o sentimento quando alguém a meio de uma conversa sacava do telemóvel e começava a falar com outra pessoa. Nessa altura as pessoas sentiam-se ofendidas e indignadas. Uma década depois a desatenção parece … More Vai-te embora. Por favor não leias este texto

Diz-me a música do teu telemóvel, dir-te-ei quem és

Corria a manhã amena, o banalíssimo quadro do quotidiano foi interrompido por erupções da fantasia mais delirante. E a culpa é dela, da S. que partilha comigo o gabinete. Do nada demos por nós na Buenos Aires do início do século XX, que se assemelhava a uma grande capital de província, povoada de imigrantes oriundos … More Diz-me a música do teu telemóvel, dir-te-ei quem és

Borboletas 

Tropecei numa pesquisa na internet neles: os confetti em forma de borboleta. Substituem o arroz que tradicionalmente se atira aos noivos à saída da igreja. Gostei tanto deles por tudo aquilo que evocam. O arroz é prosaico: um alimento, lembra a placa vitrocetâmica, a cozinha e a cozinha fica dentro de casa. A cor do … More Borboletas 

Novo, como usado

“Und wie du wieder aussiehst, Löcher in der Hose und ständig dieser Lärm/ Und dann noch deine Haare, da fehlen mir die Worte/ Must du die denn färben ?” . Em 2007 esta canção dos Die Ärtze estava no top alemão e era uma afirmação de protesto dos pais contra o look punk de um … More Novo, como usado

Viver num campo de refugiados: uma experiência na primeira pessoa

O campo de refugiados de Kakuma é uma cidade de cerca de 180 mil pessoas de 20 nacionalidades. É também o sítio mais extraordinário onde vivi em toda a minha vida. A cidade cresce todos dias.  Vista da janela do Dash que me transportou de Nairobi – e que chocalhava como um brinquedo de criança … More Viver num campo de refugiados: uma experiência na primeira pessoa

Os lápis

Os lápis, em si, são banais. Vendem-se em qualquer papelaria ou estão a uma mão de agarrar numa qualquer prateleira de supermercado. Será mesmo assim? Não encerram os lápis de cor e as canetas de feltro a possibilidade de um jardim? Ou de algo bonito? Um momento só nosso, de isolamento, o regresso a um … More Os lápis

O lugar como o “Skateistão” não deveria existir no Afeganistão

     Tenho uma dívida permanente com locais como este e pessoas como as da história que vou contar. Bebo da sua coragem.  Este lugar resulta de uma desobediência: ali não devia existir alegria, nem meninas a andar de skate. Façamos uma crónica do inesperado.   O dia de Hanifa começa com uma queda. Na descida … More O lugar como o “Skateistão” não deveria existir no Afeganistão

Brevíssimas notas

Às vezes parece-me que a vida é como encontrar pessoas num comboio. Começamos a gostar delas e elas descem numa paragem não prevista e nós seguimos. Com outros passageiros, numa outra carruagem. E não sabemos qual vai ser a nossa derradeira paragem. 2.  Algumas pessoas são como o corrector automático do iPhone, em     … More Brevíssimas notas