“I have dream”

Arranquei  em Outubro com a campanha para pagar as propinas a 3 refugiados Sul-sudaneses, cujas histórias contei aqui (o jovem que quer ser professor, o que ambiciona concluir a licenciatura em jornalismo e o menino órfão de dez anos encontrado, debaixo dos corpos dos pais, por um soldado).  A educação é a única forma de … More “I have dream”

A Domadora pelos olhos do Zink

Helena puxando pela língua O que é a crónica? Boa pergunta. Vamos reformulá-la? Pode a crónica ser literária? Sim, pode. A prova? Eça, Ramalho, José Gomes Ferreira, Luiz Pacheco, Ferreira Fernandes, Miguel Esteves Cardoso, Lobo Antunes. Estes últimos, aliás, sofrem de uma maldição: muitas pessoas preferem-lhes as crónicas à obra mais séria, os romances. Se … More A Domadora pelos olhos do Zink

Da morte 

A vida é como navegar. Até se pode saber de cor as constelações e tirar azimutes, conhecer os ventos favoráveis, as correntes profundas, o recorte da costa, porém o mar esse permanece para sempre imperscrutável, imprevisível. Tudo o que nos resta como marinheiros é adaptar-nos e tentar tornar a viagem inesquecível. Ou afogar-nos. Nem sempre … More Da morte 

O Domadora pelos olhos da Helena (a outra) 

Quem tem amigos tem tudo. Quem tem amigos que escrevem e moderam bem, é privilegiado. Partilho a apresentação do Domadora de Camalões, feita em Berlim pela Helena Araújo (tradutora, autora de documentários, melómana e blogger) “Quando li o título “Domadora de Camaleões” pela primeira vez, pensei “esta mulher é louca!” Pensei, mas nunca o diria … More O Domadora pelos olhos da Helena (a outra) 

O corte em capítulos 

Tenho uma mania: a de tentar dar importância ao desimportante e dar significado ao insignificante. Procuro que o olhar vá mais além e com devoção o melhor nos outros. Insurjo-me contra o egoísmo.  Esta rebeldia ou inocência opcional tem-me permitido conhecer pessoas maravilhosas nos locais mais inesperados e não ficar amarga com as almas deformadas … More O corte em capítulos 

Um mero polícia 

Partilhamos aquele tipo de amizade que resiste à distância, aos desencontros da vida e às diferenças todas.  Temos conversas que são como fogo amigo, sinceras e muitas vezes dolorosas, já perdi a conta às vezes já me zanguei e reconciliei com ele. Somos uma espécie de fósforo e gasolina.  Na última conversa e enquanto eu … More Um mero polícia 

Os chatos

Quem não tem um amigo chato que levante a mão.  Em abono da verdade os amigos chatos são um grande empecilho. São como as enchentes, que puxam pela terra e arrancam o lixo. O nosso.  Os amigos chatos avisam sobre perspectivas possíveis e são terrenos, tão por terra que nos dizem: “estás a ser egoísta” … More Os chatos

Suite francesa

Por esta altura multiplicam-se as listas dos livros do ano. O meu livro do ano é um extraordinário romance que me foi oferecido há três por uma amiga, antes de suicidar. Não tinha tido coragem ou a força necessária para pegar nele. É um livro sobre os abismos e a complexidade da alma humana e … More Suite francesa

O poder do elogio

  Por vezes andamos às voltas com o comprimento da vida, sempre breve, tão breve, que nos esquecemos de dar largura à sua existência. Que sejam desiguais as contas. Por cada crítica feita, dois elogios. Por cada amargura, dois abraços. Por cada esquecimento, dois sorrisos rasgados. Ao acendermos a luz no outro, não deixamos que a nossa … More O poder do elogio

Toma conta de nós 

Os nossos amigos de infância nunca são pessoas comuns. São o pavimento da memória de dias felizes, de um tempo mágico onde tudo estava certo. Achamos que nada pode acontecer aos nossos amigos de infância com a mesma naturalidade com que à  mesa do café se conversa de trivialidades. Será por inocência? Pelo medo de … More Toma conta de nós 

Avarias

Não existe nada mais capaz de estimular a imaginação humana do que uma avaria no carro. Acompanhem-me. Esta manhã, depois dos rituais que contribuem para um spa da alma – traduza-se tomar um café no lugar habitual e ler umas páginas do romance A Irmã de Sandór Marai, um livro intenso e delicado – peguei … More Avarias

Coisas da rádio

A rádio é assim. Cheia de coisas sem importância que mudam uma vida. Deixem-me contar-vos uma história da rádio. O programa local “BBC Radio Solent” decorria com os ingredientes diários. Conversa, música. Até um telefonema. Em estúdio Alex Dyke atendeu. Do outro lado da linha aquele momento em que a condição humana, frágil, se explicita … More Coisas da rádio

Os mortos

Convivem a paredes meias nos classificados dos jornais: a morte e o amor descartável, desse baratinho e sem qualquer réstia de beleza. Confesso, sou viciada nestas secções. Leio os elogios póstumos separando-os nas categorias “de pacotilha” – circunspectos e aborrecidos, não mereceria o morto melhor? A dor paralisa? – e “de coração” – onde cabe … More Os mortos

Em busca do tempo

Encontrar tempo para ir simplesmente dançar. Se tivesse um desejo livre era o que pediria. Na loucura desenfreada dos dias dei por mim a pensar na última vez que sai para dançar. Dei-me conta que foi no final de Setembro, em Maputo, e por um mero acaso. O avião da TAP falhou o voo, a … More Em busca do tempo

Diário de Lisboa

Escrevo sentada na Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian, um dos meus locais preferidos em Lisboa. Pela janela observo o sol luminoso espalhando diamantes na vegetação e na superfície da água lisa como um chão. Deslumbramento que contraria o calendário que onde se escreve Janeiro. Sinto-me como os cafeeiros ao peso das bagas vermelhas. Plena. Por … More Diário de Lisboa

Advertências sobre (os escrúpulos da) a fantasia*

Quem nunca sentiu a necessidade de dar sentido à própria vida, mesmo que temporariamente, ou revivê-la? Sou depositária de uma história que me pediram para escrever. Sem julgamentos morais. Os envolvidos traziam consigo a urgência de narrar, de a projectar para além do tempo, do espaço, da precariedade do encontro, procurando habitar o presente absoluto. … More Advertências sobre (os escrúpulos da) a fantasia*