Carta aos Exmos membros da Ordem da Sisudez

Com o Orçamento fechado e a época festiva a chegar há que redirecionar a pedinchice. Epistolemos portanto.

Antes de mais peço desculpa por importunar os que andam em bolandas com conspirações galácticas, o “vírus inexistente” e os clones (como eu precisava de um, ou de dois vá), seguindo gurus licenciados em Ciências da Vida, mestrados nas redes sociais e doutoramentos no café do senhor João.
A verdade, não é pilhéria a escolha desta palavra, é que sois uns chatos, mais patos que o Donald.
Este seria o meu pedido, o primeiro na lista: riam-se um bocado, até de vocês próprios, façam detox do ódio, deixem a luz dos ecrãs e troquem-na por um bom passeio ou pela leitura de um livro. Livro esse que até pode ser de Arthur Conan Doyle. Por falar no pai do Sherlock. O detetive britânico é a personificação da racionalidade e da dedução lógica, já o seu criador acreditava no sobrenatural. Um dia Doyle e o famoso mágico Houdini decidiram contactar o espírito da falecida mãe do mágico. A mulher de Doyle foi a médium. A mãe de Houdini foi contactada e ditou uma mensagem em inglês para o filho, que Lady Doyle transcreveu, em transe. Houdini agradeceu e não teve coragem de dizer aos Doyle que a sua mãe não sabia uma palavra de inglês e só falava ídiche – um detalhe que Doyle saberia se tivesse encarregado Holmes de uma elementar investigação prévia.

Nesta epístola que já vai longa o segundo pedido é dirigido aos políticos. Aos que nunca tem dívidas, perdão dúvidas, e raramente se enganam e aos que quando as tem perguntam rapidamente à Siri ou aos doutores Rogeiro, Mendes, Portas ou Sousa Tavares, a peritos não, imagine-se a insensatez de perguntar a quem perceba do assunto.

O pedido é simples, e faço-o pela pena do Eça, ora leiam la está maravilha: “Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o Estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência” .

Alegrem-nos estes tristonhos fins de semana e o Natal que não virá. Como ? Menos palavras, mais profissionalismo, mais pessoas dentro da política.

Só para acabar, e quebrar a sisudez, vocês conhecem o amigo do LFV ( não o do Benfica, que isso seria para derramar lágrimas)? O Luís Fernando Veríssimo conta a história do Giles McGivens, irlandês que contou a anedota mais longa do mundo… Aliás, ainda a está a contar, depois de dezassete anos, dois meses e três dias em que só parou para ir à casa de banho do pub ou a casa para dormir um pouco. Há quem desconfie que Giles esqueceu como termina a anedota e por isso está adiando o seu final.

Devia estar no Guiness, como o nosso país e a sua proverbial falta de planeamento.

Atendendo aos factos que acabo de expor venho por este meio requerer que gargalhem, gargalhem muito de forma a alterar o triste estado das coisas.

Com elevada consideração.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s