Bebés danificados: a indústria da gravidez de substituição

Alguns choram no berço. Outros são embalados ou amamentados a biberão por empregadas. Os récem nascidos não estão no berçário de uma maternidade, estão alinhados no lobby de um edifício de nome improvável, Hotel Venice, guardados por muros e arame farpado.

As crianças são filhas de casais estrangeiros, nascidas na Kiev através de mães de substituição no BioTexCom Centre for Human Reproduction, a maior clínica mundial de gravidez de substituição. O encontro com os pais foi adiado devido à pandemia.

O nosso modelo económico globalizado inclui a deslocalização da produção para lugares onde a burocracia é menor e a mão de obra mais barata, certo?

As fábricas de bebés seguem o mesmo modelo de negócios. A gravidez de substituição, também conhecida como “barriga de aluguer”, é um grande negócio e o destino mais comum destes “produtos” é a Ásia e os EUA.

No mundo “desenvolvido” quando um casal tem um desejo intenso de ter filhos é infertil ou não quer arriscar a saúde ou a linha da futura mãe recorre a estas estas clínicas. Anualmente na Ucrânia entre 2 mil a 2 mil e quinhentas crianças nascem em barrigas de aluguer. A portadora do bebé recebe até 15 mil dólares, as clínicas mais do dobro.

E o que acontece quando as crianças nascem com problemas de saúde ? Matthew S. E. T., de 39 anos e a sua mulher Irmgard P. de 61 anos, assinarm um contrato de gravidez de substituição na Ucrânia em Fevereiro de 2016. A mãe que vivia numa zona de guerra em Donetsk, deu à luz prematuramente dois gémeos. Um morreu no parto, a outra Bridget nasceu com danos cerebrais. O casal norte-americano ficou decepcionado, esperava um produto perfeito e não um bebé danificado. Rejeitaram o bebé, regressaram à Califórnia e pediram as médicos para desligar as máquinas de suporte do recém nascido. “We will not take her to America. This baby is incurable.”

O bebé agarrou-se à vida. Apesar do nome americano, não é americana, também não tinha a cidadania ucraniana. Hoje, aos quatro anos, vive num orfanato com cerca de 200 outras crianças. O Estado ucraniano concedeu-lhe a nacionalidade e o casal de que é filha biológica assinou os papeis autorizando a sua adopção. Se não acontecer até aos sete anos, a menina de ninguém, será institucionalizada noutro local sem as possibilidade de terapia e reabilitação que o actual tem.

Bridget

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