Das contradições em termos

Há quem seja contra a violência sexual no abstracto, porém questione as vítimas do abuso se o agressor for um realizador famoso, um atleta de excepção ou um homem poderoso. Tratam-se como pecadilhos violações e pisa-se a dignidade das vítimas.

Há quem seja contra o fascismo no abstrato, até tenha publicado “Auschwitz nunca mais “ e depois aplauda a tirada anti-democrática e racista de um deputado único. Tratam como pecadilhos a falta de respeito pela casa da Democracia e pela própria democracia porque a vítima “se pôs a jeito”.

Há quem conteste a devolução de obras de arte roubadas sob o pretexto de os museus locais não terem condições. Tratam com complacência todo um continente que não conhecem, falam com propriedade de arte que provavelmente nunca visitaram porque não visitam museus, rematam apontando aos negros ( esse colectivo de projeção ) desinteresse pela sua cultura e até o conhecerem melhor lojas de luxo do que museus europeus. Trata-se como pecadilho o eurocentrismo esquecendo que ele é a trave no nosso olho.

O eterno destino dos princípios: embora todos professem tê-los, o mais provável é serem sacrificados quando se tornam inconvenientes. A constatação, tão verdadeira como dura, foi feita por Susan Sontag num ensaio sobre a coragem e a resistência.


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