Dormir

Subitamente os olhos bem abertos e a cabeça clara e lúcida. Olho para o despertador: são três horas da manhã. As luzinhas verdes do Messenger já se apagaram e não posso telefonar a ninguém que nos me maldiga. Acendo a luz. Que tal ler ? Ver uma série na Netflix? Escrever sobre a insónia ? Ou sentir. Sentir o dom da vida e apreciar a lentidão. “Quando as coisas acontecem depressa demais, ninguém pode ter a certeza de nada, de coisa nenhuma, nem de si mesmo”, escreveu Milan Kundera. Por vezes a velocidade a que vivemos atropela-nos, impede-nos de viver. Falamos com os outros sem os ouvir, sem que o eles nos habitem. Amigamos e desamigamos pessoas sem as ter conhecido.

O dia vai amanhecendo e ali à janela bebendo a luz rosada sinto-me feliz por nada. Ali naquelas horas de insónia reencontrei a serenidade, aceitando que se nas noites de insónia parece longo, o tempo é incrivelmente breve e que o sentido da vida só se encontra na partilha. Não de likes, emoticons ou comentários, mas na partilha de atenção e de presença.

Gosto de dormir, mas esta foi uma boa insónia.


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