Da série mulheres extraordinárias ( e ainda pouco reconhecidas):

Os nazis consideravam Virginia Hall o “mais perigoso de todos os espiões aliados”, mas a história da “Dama Manca” ainda é amplamente desconhecida. Hall passou quase toda a guerra na França, primeiro como espia do recém-formado SOE da Grã-Bretanha e depois para o Departamento de Operações Especiais (OSS) dos EUA. Nem a sua perna protética de madeira, que ela apelidou de Cuthbert, foi obstáculo ou travou a coragem e determinação de Hall para derrotar os nazis.

Na época em que foi agente secreta em França, mostrou-se excepcionalmente hábil em iludir a Gestapo enquanto organizava grupos de resistência, planeava fugas de prisão para agentes capturados, mapeava zonas de queda de aeronaves, relatava movimentos de tropas alemãs, instalava refúgios e resgatava prisioneiros de guerra e pilotos aliados. Raramente falava, mesmo no pós-guerra, sobre sua extraordinária carreira; uma reticência que ela provavelmente desenvolveu durante seus anos como espia, pois, como observou certa vez, “muitos dos meus amigos foram mortos por falar demais”.

Hall nasceu no seio de uma família abastada de Baltimore, Maryland em 1906 e, desde tenra idade, resistiu à expectativa familiar de se casar com alguém da sua posição e se confinar ao papel de esposa e mãe. Aspirava ser diplomata e concorreu por diversas vezes à carreira tendo sido recusada por ser mulher. Um acidente de caça na Turquia levou a que lhe fosse amputada uma perna. O que acabaria de vez com o seu sonho de seguir a diplomacia. Em 1939 mudou-se para Paris onde conduziu ambulâncias transportando soldados feridos franceses da frente de combate, isto sob bombardeamento alemão. Após a rendição francesa, Hall viajou para Londres para apoiar o esforço de guerra britânico. Durante a viagem conheceu um agente disfarçado que a colocou em contato com um oficial sénior do SOE, o novo serviço secreto de Winston Churchill. A nova agência nunca havia contratado uma mulher, mas, após seis meses decidiram enviar Hall para a França como a primeira agente feminina da SOE no país.

Chegou à região de Vichy, na França, em agosto de 1941, sob a capa de correspondente de guerra do jornal New York Post. Em Toulouse, ela estabeleceu uma rede de resistência chamada HECKLER, que reunia informações sobre movimentos de tropas alemãs e ajudava os pilotos britânicos a escapar em segurança, depois viajou para Lyon, onde ajudou a coordenar as atividades da Resistência Francesa.

Hall foi forçada à clandestinidade quando os EUA entraram na guerra, mas continuou operando na França por mais 14 meses. “Até certo ponto, era invisível”, diz Craig Gralley, autor de Hall of Mirrors: Virginia Hall: o maior espião da América na Segunda Guerra Mundial. “Ela foi capaz de jogar com o chauvinismo e machismo da Gestapo na época. Nenhum alemão no início da guerra pensava que uma mulher era capaz de ser espia”.

Pelo seu serviço durante a guerra, ela recebeu do Presidente Francês a Croix de Guerre com Palme e tornou-se a única mulher civil durante a Segunda Guerra Mundial a receber uma Cruz de Serviço Distinto pelos EUA, que reconhece um valor excepcional e risco de vida em combate.

O presidente Harry Truman queria uma cerimónia pública para a atribuição da medalha, mas Hall solicitou uma cerimónia privada, dizendo que ela “ainda estava operacional “. Hall trabalhou na CIA até se reformar em 1966 e se orgulhava do seu esforço de guerra, embora ela sempre mantivesse um certo sentido de humor. A sua resposta ao receber a Cruz de Serviço Distinto? “Nada mal para uma miúda de Baltimore.

O maior espião americano de tempo de guerra ? Uma ela .


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