Inóspito: Falemos de refugiados

Que linha une Albert Einstein, Amilcar Cabral, Freddie Mercury, Marc Chagall, Willy Brandt e Josef Konrad ? São pessoas que escolheram resistir, decidiram viver. A linha que os une ? São refugiados.

Saí de uma sala quase cheia no Chapitô, a maioria estrangeiros, turistas, alguns adolescentes. Ao espectáculo que vi não desejo acrescentar personagens, nem eliminar cenas ou avivar cores. O texto é escasso , mas as palavras não são precisas para o sentir.

Cinco jovens artistas levam-nos a um lugar apartado do tempo, do mundo, da normalidade, a um lugar onde diariamente se reedita a resistência e a dor, a dor e a resistência. Levam-nos a uma fuga sem escolha e a um mundo que se torna cada vez mais apertado e parece transformar-se numa gigantesca placa de “proibido entrar”. Os que chegam ao portão com os farelos da dignidade o mais temem não é morrer mas a desesperança. Vidas organizadas em intervalos: guerra, perda, fuga, cárceres, espera. Descansar é tudo o que eles não querem e quem o desejaria ? Com a eternidade espreitando logo ali, numa bala perdida, no deserto, no mar.

Um homem chora agarrado às calças de uma criança , acaricia-as, dobra-as e desdobra-as, parece cantar uma canção de embalar para si mesmo. Os olhos queimam.

No final do espectáculo, de vidas espremidas numa performance, que nos levaram a tantas guerras e cartografias de sofrimento, a sala explode num aplauso em pé.

Se puderem vão ao Chapitô ver, sem pieguices, sem reduções fáceis, a concretude do Outro.

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