Pai

Tiveste várias mortes. A da emboscada na Guiné de que nunca recuperarias, a do Stress pós-traumático, que te roubou as palavras, e a definitiva na batalha que perdeste contra o cancro.

Não há nada mais difícil e generoso que partilhar o silêncio, território de salvação ou desamparo, ensinaste-me. E olhar para além do simples ver, a respeitar os livros, a amar esse imenso continente africano, a sua chuva em cordas grossas que impede a visão para além de uns quantos metros e é prenúncio de vida. Ensinaste-me a detestar a guerra e o seu cortejo de horror. E a lutar sempre, a dar sentido ao tempo.

Os pais não morrem, morrem-nos, continuamos a viver com esse vazio entre os ossos.

Farias hoje 76 anos.

Da minha impotência para a tua eternidade um beijo Pai.

🌟🌟🌟 🌟

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