Crónicas de viagem (2) – Entebbe

O voo saiu com cinco horas de atraso de Bruxelas. A dado momento, ainda na placa, um passageiro levanta-se e dirige-se à hospedeira: “acordei agora, onde estamos ?” É sempre bom ver que há pessoas mais distraídas do que eu.

A bordo vi um filme belga, uma paródia à situação política belga, europeia e que se podia passar na Catalunha. No filme a Turquia aderia à UE e logo em seguida havia uma tempestade obrigando todos os participantes a ficar retidos em Istambul, incluindo o rei da Bélgica, que se vê obrigado a escapulir-se da Turquia pela rota balcânica para tentar evitar que a Valónia declare independência.

Aterrei em Entebbe, no Uganda há uma diferença horária de 3 horas, de madrugada. Passei tranquilamente a fronteira e tratei do visto com uma mulher polícia muito conversadora.”Love your Nails Helen”. I love Uganda, dear.

A antiga capital do Uganda é sobretudo conhecida pelo Aeroporto Internacional de Entebbe, o único do país. Foi lá – mais exatamente no antigo aeroporto – quedecorreu em 1976 a célebre Operação Entebbe, conduzida pelos israelitas sob o comando de Yonatan Netanyahou, para libertar os reféns do voo Air France 139.

Do alojamento ninguém atende o telefone, nem o motorista dá sinais de vida. Desespero. Decido apanhar um táxi local com a tarifa única de 20 dólares.

São 4 da manhã e estou numa picada no meio de uma favela conduzida por um desconhecido e sob um céu negro ébano. A única luz é o farol direito do carro. Tento o Google Maps, o santo padroeiro dos sem rumo. A Vodafone informa-me que “por razões de segurança me cortaram o Roaming de dados”. Ironia maior ? Pára uma mota. Pede-me o iPhone. Agora estou sozinha com dois desconhecidos, iluminada por um ecran e um farol de luz desmaiada. Despeço-me mentalmente do telefone, respiro fundo. “Estão no caminho errado. Esse hotel não fica aqui”. Devolve-me o telemóvel.

Continuo sem dados móveis (que foram activados esta manhã de tão preocupada que a operadora estava com a minha segurança). Ordeno ao motorista que leve à estrada principal e a única asfaltada. Descubro um hotel na beira da estrada. Tinham quartos vagos e um pequeno almoço de ovos com feijão picante. Vou procurar o meu alojamento e o meu motorista.

Digamos que a minha vida nunca é monótona.

(Continua)

11.12.17

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