Do deslumbramento 

Numa das suas crónicas Lobo Antunes fala de um tio que leu o mesmo romance durante meses, dizendo que uma das vantagens da idade consiste em chegar ao fim do livro sem se lembrar do início e recomeçar a lê-lo sem ideia de como acaba, de forma a que naquelas paginas do mesmo livro existia toda uma biblioteca.Gosto da capacidade de surpresa contida neste episódio, a capacidade de descobrir, de reinventar. Os livros não se lêem agarram-se, agarram-nos, abrem-se como aqueles cofres do banco, com uma chave nossa e com a chave que o texto oferece. De alguma forma a vida também não se vive, agarra-se, reinventa-se e só vale a pena quando não se perde a capacidade de deslumbramento.

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