Do Salvador e da arrogância

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”, escreveu Oscar Wilde. 
Ontem um miúdo desengonçado, com uma sensibilidade rara e talento, muito talento, venceu a Eurovisão conquistando júri e público (e não não foi apenas a diáspora portuguesa a votar nele) contra o snobismo de muitos para quem a música, que agradou ao Caetano Veloso, não era suficientemente boa. 
Num mundo onde tudo é cada vez mais descartável – sentimentos, relações, pessoas – uma canção, simples mas à qual não falta profundidade, comoveu mesmo quem não entende duas sílabas em português. 
Talvez porque aquilo que mais necessitemos seja, não o plástico, o artifício, a futilidade, mas a leveza com profundidade, o abandono da arrogância. 

A ideia de ” amar pelos dois” num mundo egoísta, narcísico, é vista como “burrice, tonteria”, quando este regresso ao Amor – o conservar a inocência, a pureza, a capacidade de entrega – talvez seja aquilo que nós e o mundo a desmoronar-se ao nosso redor necessita. 
Há que ensaiar novas formas de perceber o mundo, sabendo que a arrogância e o estar cheio de si equivalem a cegueira.
( que me desculpem os arrogantes mas lembram-me aquela passagem da Bíblia em que Jesus pergunta: “como ousas dizer ao teu irmão: deixa-me tirar o argueiro da tua vista”, tendo tu uma trave na tua ?”)

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