Notas breves sobre o ataque terrorista de Londres

 

1. O estudo dos modelos de actuação dos grupos terroristas permite a definição de padrões de operacionalidade. Todavia no caso do terrorismo islâmico, a sua forma de actuação não é linear, verificando-se o cruzamento de um nível de elevada, média e baixa intensidade letal – medido pelo grau de danos humanos e físicos provocados – com a utilização de meios de elevado, médio e baixo input – definido como o grau de preparação e de utilização de meios humanos, técnicos e tecnológicos utilizados no perpetrar do acto terrorista.

O 11 de Setembro de 2001é um exemplo de uma acção de elevado input com muita elevada intensidade e o 11 de Março de 2004, Madrid, foi um atentado de baixo input com elevada intensidade. Londres foi umm atentado de baixo input e baixa intensidade letal, porém este acto de terrorismo por procuração inscreve-se na mesma lógica: ter um enorme impacto psicológico e uma cobertura mediática de relevo.

2. “One man’s terrorist is another man’s freedom fighter”, esta frase contida em muitos estudos sobre terrorismo deve estar presente na construcao de uma matriz de análise e na elaboracao de um quadro de monitorizacao do fenómeno.
Como escreveu Miguel Monjardino :“os ataques terroristas devem ser vistos no contexto do processo de declínio e implosão da ordem regional do Médio Oriente que está atualmente em curso. A guerra civil na Síria, a fragmentação do Iraque, a ascensão do Daesh e os refugiados que fogem de uma terra sem presente nem futuro são os principais sintomas deste processo. Este acontecimento histórico promete ser longo e violento a nível regional e terá consequências em toda a Europa durante muitos anos“.
O combate ao terrorismo também se faz usando o softpower da ajuda ao desenvolvimento.

3. A comunidade de Intelligence, as polícias e os governos nao têm recursos infinitos e é impossível proteger todos os espaços públicos. A prioridade máxima deve ser a detenção em tempo útil da ameaca atraves de sistemas de alerta precoce – conjugando na análise operacional procedimentos próprios do desk system, mas obtidos através de raw material (indicios técnicos obtidos no terreno) – o que, por exemplo no caso alemão já evitou centenas de atentados.

4. “Estamos numa guerra. E mais de metade desta guerra é disputada no campo de batalha que são os media”, disse em tempos Ayman al-Zawahiri, membro da Al Qaeda, que exerceu funções no Comité de Comunicação também designado de Comité de Informação. Importa uma reavaliação do discurso mediático sobre o terrorismo.

Se por um lado os media fornecem oxigénio ao terrorismo – não estou com isto a dizer que simpatizem com o mesmo o legitimem, mas dão-lhe projecção – por outro em sociedades livres o direito à informação sagrado. A “solução“ passa pela consciencialização dos agentes da comunicação social acerca do que são e de como funcionam os grupos terroristas que „ pode e deve levá-los a voluntariamente optarem por elaborar a informação de um modo
mais “contido”, que atenue os impactos psicológicos mais aterrorizantes“ (Martins, 2010).

Nas escolas de jornalismo fala-se pouco de Conflict Sensitive Journalism, é uma pena porque o modelo teórico desta forma de construir o discurso mediático – que passa pela compreensão da questão magna dos objectivos políticos do terrorismo de matriz islâmica e pelo fim do discurso binário“Bons“- “Maus“ – serviria os nossos interesses.

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