Coração em Trânsito

Podia reconstruir o tempo, instante a instante
Sentir de olhos fechados o sobressalto desses dias de Agosto.
Nesses dias era o amor que vestia as manhãs. De doçura e vontade de chorar. 
E forçava o destino em qualquer cruzamento. 
Apenas ele, o amor
Apenas ele por única razão. 

Nesses dias as horas mediam-se em capitéis moldados pelos dedos no barro do corpo. 
Delicados, frágeis, como apenas ele, o amor.
Apenas ele por única canção. 
Nesses dias o vento da Foz escutava as promessas, guardava-as nos búzios com os risos mais doces. Segredos só nossos.
Viagem sem mapa, como apenas ele, o amor
Apenas ele a sustentar-nos no côncavo da mão 

Nesses dias lia-te e relia-te. Medo de perder-te que eras perfeito. Esquecia-me de quem sou para sentir-me tua. Nunca vi mais belos céus que esses sob que caminhavas. 
Incomensurável o amor
Apenas ele por única razão 

Coração em trânsito o teu. 
Passaste como no Verão passa o perfume a terra molhada. Instável bebida efervescente, que agitada se transborda em espuma.
Como passou depressa Agosto, imobilizou-se a aurora. 
Que doçura a tua, ficaste no meu peito. 
Que vazio o mundo com a tua ausência
Com o infinito a descoberto. 
Apenas ele, o amor, infatigável,
Apenas ele, o amor não emudeceu.


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