Da pequenez e da grandeza 


O que faz de um humano um humano? O que nos faz o que somos? A nossa humanidade reedita-se a cada dia na forma como olhamos o Outro e reconhecemos a sua história. Só morre como humano quem viveu como um.
Vem isto a propósito de duas coisas. 

A primeira é armadura de crueldade e insensibilidade de muitos keycap warriors. No fundo o espelho de uma solidão profunda e do entorse de carácter que o egoísmo prefigura.
Gente assim, a quem a sua desimportância e o vazio acabrunham, são como os Papas de Roma perante as descobertas Galileu. “Para a fogueira” quem ouse desafiar a “ordem” cosmológica. E os “condenados” vão variando: são as minorias, os fracos, os diferentes, o que no num momento de infelicidade disseram algo menos próprio ou cometeram um erro nas redes sociais. Tão ocupados que estão o chão e descobrir a poeira e a sujidade no sapato do outro que esquecem de olhar para as estrelas. 

A segunda são as pessoas que entenderam  que são poeira de estrelas – um facto científico, além de uma belíssima imagem poética – que são como Carl Sagan dizia pedaços brilhantes do universo. E o universo lembra-nos, de forma profunda, nossa matéria é a das grandes aspirações, não as ditadas pela polémica do momento ou pelo confortável egoísmo de sofá.

Tenho para mim que a maior das aspirações, a única que resgata o que de extraordinário há em cada um de nós, é fazer da humanidade um mantra e sentir a história do outro como da nossa se tratasse. 
Só morre como humano quem viveu como um.


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