Micro conto ( qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência)

A mensagem apareceu na caixa de mensagens sem se fazer anunciar. E sem que se atinasse porque escolhera aquele poiso. Eliminá-la de imediato? Detenho-me não seria humano eliminar a mensagem só porque trazia flores kitsch e letras que rodopiavam. Algoz em perspectiva da mensagem penso que não incomoda, é como alguém que viesse fazer companhia durante o dia de trabalho.

Aquieto-me e deixo-a lá estar. 

Até receber outra e outra e outra. Num copy paste preguiçoso, inexpressivo de tão repetido e partilhado noutras caixas de mensagens. 

Não é todas as noites que a mensagem nos visita ( bem é) e que consegue insinuar-nos alguma coisa.

Senhores da criação: a sedução é inventiva e anula os postulados da lógica. Todo o sedutor que se preze deve inventar, como diz o Drummond, “besteiras líricas e deliciosas que a gente não diz para qualquer pessoa, só para uma”.

As expressões “princesa”, “linda”, “flor” estão para a sedução como o latim, mortas. 

Que tal tentar “meu verso de Sophia”, “o meu encontro das águas”, “meu prazer quotidiano”, “frase minha”?

Click. Apaguei a mensagem.


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