Um aniversário no convento

Montem o filme mentalmente. Mãe pergunta à adolescente: “querida o que vamos fazer nos teus anos ?”. Adolescente responde: “vamos festejar no convento”. Mãe paralisada como aqueles gulosos que abrem um frigorífico e se depararam com uma cornucópia de delícias. “Seja convento, então”. 
Fechem os olhos. Imaginem o local: um convento de Carmelitas, belíssimo, bem para lá do fim do mundo (leia-se sem rede telefónica e internet), num vale bucólico, sem ninguém à volta num raio de quilómetros. 

Fluiu-me pela cabeça como um rio murmurante (bem, mais que murmurante, gritante como uma catarata: que fazer durante um fim de semana com adolescentes num convento? Como a necessidade aguça o engenho, fiat lux. Ocupá-las com trabalhos manuais. 
Não sei se conhecem os carros de madeira impulsionados por projécteis de fogo de artifício (quando bem construídos atingem uma velocidade de até 30 quilómetros hora) ? Se não faz parte dos vosso kit “SOS-Adolescência” acrescentem-no. Acreditem em mim, nada como umas tábuas de madeira, rodinhas, berbequins, serras eléctricas, tintas e uma aposta (que carro percorre a maior distância) para transformar teens citadinas em seráficos-anjos-engenheiros.
Com os carros a postos, eis senão que, Deus prova que existe (ou não estivéssemos num convento) uma competição europeia de Porsches nos passa à porta. Os smartphones que estiveram em repouso nas últimas horas (sem uma única reclamação) disparam em todas as direcções e os pilotos desejam sorte para a nossa corrida. Até o tempo deu uma ajudinha.

As restantes horas foram passadas a jogar à apanhada, cantar em grupo, a passear na floresta, a construir uma catedral de papelão em grupo (um jogo fascinante onde a cada parte da catedral se associa um poema da literatura clássica alemã) e a jogar jogos de salão. Nota para educadores hiperpreocupados: os millennials são igualzinhos aos adolescentes de outras gerações. Há esperança. 
Ninguém deu pela falta da internet. Well, não é bem verdade. Houve uma adolescente tardia que se escapuliu pé ante pé até à colina mais próxima ( único local com rede telefónica e internet à velocidade de um caracol para saber o resultado do jogo do Sporting. Ohmmmm

( Sobrevivi. Yesss!!)

   
    
   


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