Cerejeiras em flor 

  
Olhei em volta. Ali o mundo não tem nada para me explicar. Precisava de beleza e encontrei-a na Heerstrasse. 
Não tenho olhos a medir e perante o esplendor das cerejeiras nesta rua de Bona invento uma bússola que me leva ao Japão. Algumas ruas são uma espécie de casa errante, quando as percorremos até ao final, mais que o fora encontramos o dentro. E do dentro nesta rua grávida de cor de rosa das esplendorosas flores de cerejeira que quero falar. 

Introduzo a “Sakura” , flor da cerejeira, a flor nacional do Japão, país onde existem mais de 300 espécies desta árvore. 
Os japoneses retribuem o donativo da natureza celebrando o início floração no ritual do “Hanami”, que consiste essencialmente em pousar o olhar, contemplar as cerejeiras em flor, distrair-se de si e descobrir o regaço da vida. 

Há séculos que esta flor, frágil e efémera, é a flor dos samurais e é a essência do seu lema: viver o presente sem medo. 
A fugacidade da Sakura, que a qualquer momento pode ser levada pelo vento, é uma das mais belas imagens da fragilidade da vida e do seu esplendor, da sua bondade. 
“Acontece que o mundo é sempre grávido de imenso” e na cerejeira habitam infinitos. Quando a graça da flor parte, como uma paixão apressada, aos que têm a paciência de esperar oferece-se o fruto. Doce, sensual, como um vestido que se desabotoa ou um amor infinito. Que há sentidos que despertam quando se percorre uma rua até ao fim e se encontra o além do efémero. 


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