A crise 

Quando o ambiente geral convida ao pessimismo ou pode descambar em depressão, é hora de ler. Prosa, poesia, um jornal, tanto faz. 

Sábio verdadeiro é aquele que tem com a vida uma relação directa. Aquele que no pequeno mundo do dia a dia sabe identificar as coisas boas da vida.

Conta o Otto Lara Resende, a propósito do seu amigo Rubem Braga ( que devia amigo de todos nós): “certa vez, no auge de uma crise, crivada de discursos e diagnósticos, o Rubem estava de olho nas frutas da estação. Quando o largo horizonte nacional andava borrasco, ele se punha a par das nuvens negras, mas não mantinha o olhar fixo no pé-direito alto da crise. Baixava o olhar ao rodapé, pois o sabor a Brasil está também no rés-do-chão”.

Esta crónica tornou numa espécie de lema de vida. Baixar o olhar ao rodapé. Em Agosto passado quando estava em Juba, os combates estavam a vinte quilómetros, do outro lado do Nilo Branco, o acordo de paz não estava assinado, e que fez o motorista ? Levou-me a beber chá de menta na berma da estrada e comer abacaxi doce. “Fica aí sentada a ler um pouco. Eu cuido de ti”. E eu fiquei. Depois reconfortada e de cabeça erguida estava pronta para enfrentar de novo o caos sul-sudanês.

Todos temos, mesmo no caos mais absoluto, uma medida de equilíbrio no coração que nos permite viver a vida até à sua ínfima fibra, “mesmo que esse negócio de vida seja complicado”. 


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