Mentiras

Escondi os retratos dentro dos livros.Tu já não vens e as palavras são recantos de memória. 

Na almofada desenha-se o contorno da tua ausência. Fecho os olhos e a noite devolve-me teimosamente as linhas do teu rosto. Guardo os teus gestos e os mapas que desenhaste devagar, com a ponta dos dedos, no meu corpo.

Devia ter partido há muito tempo, como as aves que perseguem o sol. E tentei, mas o nosso amor um era livro aberto sobre cama pela metade e nunca deixei um livro pela metade. 

Devia ter partido quando pressenti que não era eu quem aguardavas.

Devia ter partido antes que te deitasses na minha cama e me servisses mentiras amargas como Gin que eu fingia não entender. 

Por ti contava as estrelas do céu, uma a uma, e os grãos de areia na orla da praias. E se dissesses de novo o meu nome eu morreria de amor. 

Escondi os retratos dentro dos livros. Neles há tudo sobre as despedidas e o tempo ficou suspenso. 
Tu já não vens. E se viesses não me importava com nada do me dissesses, se fosse para sentir o quente do teu colo. 

HFG

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One thought on “Mentiras

  1. não fica nada, embora te recordes de algumas coisas que se vão perdendo. Cresces com as partidas e também morres com as chegadas. Estamos sempre de malas feitas para qualquer lugar, às vezes, uma única vez, segundo sei, para um não-lugar

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