Sócrates e os mensageiros

Notas avulsas sobre a relação de José Sócrates com a imprensa
(todas as declarações aqui citadas são públicas e podem ser consultadas):

– Em 2005 ano em que José Sócrates foi eleito Portugal ocupava o lugar 23 no “Índice de liberdade de expressão” da organização internacional Repórteres Sem fronteiras . Em 2009 estava na 32ª posição.

– O ex-primeiro-ministro, tanto publicamente, como em manobras privadas, sempre se preocupou de forma bastante intensa com a relação à informação que lhe era contrária. O caso da não publicação da crónica do jornalista Mário Crespo, no Jornal de Notícias, tornou-se, a par do encerramento do telejornal conduzido por Manuela Moura Guedes, o caso mais mediático na intenção de silenciamento de media adversos pelo primeiro-ministro, não foram todavia casos isolados.

– Já como ministro do Ambiente em 2001 pediu a um jornalista da TVI para que uma reportagem não fosse transmitida. A peça foi transmitida e Miguel Paes do Amaral falou com José Eduardo Moniz indicando que era amigo de Sócrates e que não queria ter problemas com ele.

– As relações tempestuosas que o primeiro-ministro teve com a comunicação social, de que foi exemplo capital o jornal Público, resultaram na denúncia de Nuno Saraiva, com o artigo intitulado «Impulso irresistível de controlar» no Expresso, a 31 de Março de 2007.

– Henrique Monteiro director do Expresso aludiu perante a Comissão parlamentar de Ética Sociedade e Cultura (CESC) , ao telefonema que José Sócrates lhe fez na semana de sair no Expresso a notícia sobre o problema com a sua licenciatura. O primeiro-ministro pediu ao director do semanário que não publicasse a notícia, algo com que Monteiro discordou, dando, todavia, a hipótese a Sócrates de desmentir, de emitir alguma declaração ou de fazer algum esclarecimento. Na mesma comissão disse que “já recebeu muitos telefonemas de detentores de cargos políticos sobre notícias que já tinham saído, mas que sobre notícias que ainda não haviam saído era a primeira vez”. Depois deste acontecimento o Expresso teve mais dificuldade no acesso à informação governamental. O jornalista afirma peremptoriamente que José Sócrates “é o pior primeiro ministro no que toca à comunicação social.” Esclarece que Sócrates dá excesso de importância ao que é dito sobre ele, o que se pode comprovar pelos telefonemas que faz, nomeadamente, para os jornais. E que o próprio telefonema aumenta a importância do aspecto, tão-só por o fazer.

– O ex-director do Público, José Manuel Fernandes, explicou perante a CESC que a má relação de José Sócrates com o jornal já vinha de tempos anteriores, nomeadamente quando este era deputado. Com efeito, JMF indicou que quando o Governo tomou posse – em 2005 – o jornal tinha o exclusivo de uma entrevista exclusiva com um Ministro. No entanto, quando o primeiro-ministro soube que a entrevista iria sair no Público, como afirmou JMF, desautorizou a publicação; o Ministro deu outra entrevista a outro órgão quebrando o acordo firmado, por instruções do gabinete do primeiro-ministro. JMF defendeu que este episódio foi uma “ordem deliberada para prejudicar o jornal” dada pelo primeiro- ministro. O jornal, por seu turno, decidiu não publicar a entrevista.

– O ex-director do Público, afirmou ter sido alvo de pressões e constrangimentos pelo primeiro-ministro, conceptualizou a temática “pressão”, deixando bem claro sobre ao que se está a referir quando faz tais acusações; quanto a pressões ilegítimas, JMF indicou que estas acontecem “quando um órgão de comunicação começa a ser discriminado no acesso à informação.” Esclarece que as consequências que integram tal atitude passa por o órgão não ter acesso às fontes, não ser convocado para ter representantes em conferências de imprensa e em visitas oficiais; algo que aconteceu em relação ao Público, como referiu.

– O ex-PM moveu processos contra nove jornalistas. O ex-PM telefonava para as redacções e berrava com jornalistas, os assessores e ministros de José Sócrates telefonavam para as redacções e berravam com jornalistas.

-Pode ter-se a pior opinião sobre o CM todavia não deixa de ser interessante notar que não intentada nenhuma acção por difamação contra os profissionais do jornal.

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