Amor conjuntivo

Pudesse eu reter o teu olhar, amado
Como um mar mais intenso e deslumbrado
E reflectir-me para sempre no seu espelho.

Pudesse eu reter a tua voz, amado
No espaço interior de cada poema desassombrado
Em páginas lisas, ao abrigo dos navios do tempo.

Pudesse eu reter o tempo, amado
Embrulhado em papel de seda amarelado,
Para desdobrar nas noites de insónia sem refúgio.

Pudesse eu criar o meu próprio tempo que me desse morada
E que ao chegar à última légua da estrada
Nos meus olhos não houvesse um manto de água.

Que fazer com esta vontade, de te falar docemente,
De te te dizer que apenas em ti o mar é infinito ?
E deixar-te à despedida o leve gosto de um beijo.
Pudesse eu ter palavras para o indizível, amado.

HFG

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