Receita para viver

Receita para viver 
A vida raramente é um trevo de quatro folhas ou um pêssego doce e sumarento que se aconchegue exacto no côncavo da mão. 

Viver é escrever na areia ao abrigo das falésias, e esperar que a maré tarde como o crepúsculo no Verão.

É regressar a casas onde o sol adormecia no telhado, os cheiros, as memórias eram as nossos e nos baús onde estavam as cambraias e linhos encontrar lãs. E se dói, há coisas que mala nenhuma pode levar. 

É fazer chamamentos a que ninguém acode noite após noite. Não falar de detalhes intranquilos como os sentimentos, desejos e demónios que perturbam a noite.E arrepender-se do silêncio porque o sentir não se adivinha. Nem o amor se estende como um mapa antes da viagem.

Viver é perseguir o sol, voar com as aves de arribação, sem a certeza de voltar. Deixar um livro partido no meio por ler e conquistar as horas. Às vezes as horas magoam-nos. Outras virão. Não vivas à espera de uma dor que teimas que há-de chegar, posso não ter tempo para salvar-te.
As histórias de amanhã são livros por escrever, pegadas no deserto por traçar, caminhos de São Tiago a percorrer. 
Larga a âncora, o velho calendário cheio de desencontros, e faz da mais pequena história do mundo, a nossa, por instantes enorme.

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