Breve reflexão sobre a correria

Quando estive entre os índios macuxi desaprendi o relógio e ganhei um grande respeito pelo tempo. Ali no meio da Amazónia era o sol queria regia as horas, marcava o tempo da vida. E esta media-se por muitas horas de todo-o-terreno até à aldeia indígena mais próxima.

De regresso à Europa e às semanas em que todos os dias são segundas-feiras, reencontrei as horas por todo o lado, no iPhone onde escrevo, no computador, no mostrador do forno. O relógio perdeu a solenidade e o tempo banalizou-se. Tempo fugit e fugit a uma velocidade incrível.O urgente parece não deixar tempo para o importante.

Ainda me lembro do meu primeiro relógio, de correia de pele castanha , mostrador quadrado, que recebi ao completar a quarta classe. Era um presente tão aguardado que recordo as noites sem dormir a pensar nele. Aos nove anos passei a poder carregar o tempo no pulso e dar-lhe corda para que ele não se me escapasse. Não sei bem como perdi esse relógio da infância. Pior que o ter perdido é ter a sensação que um relojoeiro louco me dá corda ao tempo.

Sinto-me entregue nas mãos de  tiranos, de seu nome planeamento e reuniões , aspiro pelo tempo para ir ao encontro do que é surpreendente, poder abrir mapas  e páginas.Canoas no Rio Uraricoera

Índios Macuxi na Raposa Serra do Sol.@HFG Novembro 2013
Índios Macuxi na Raposa Serra do Sol.@HFG Novembro 2013

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(O que me vale é que as férias começam esta semana. Ohmmmmm)

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