Desencontro

Nas travessuras da noite jurámos
Ter uma casa de fachada antiga
Para contar cabelos brancos.
De olhos nos olhos desenhámos 
A casota do cão 
Sultão feliz em seu divã deitado.
Águas mansas também se enfurecem 
O azul torna-se pardo 
Quando não lhe bate o sol.
Cedro, mirra, incenso, aragem
E o que era amor seguiram viagem
O juramento perdeu o sentido. 
Desse nosso desencontro 
Sobrou a lareira no corpo acesa, o mapa escrito na pele, as memórias de um tempo de delicadeza. 
Uma história tão bonita sem capítulo final. 
Quando olho a casa de fachada antiga, onde quis emoldurar a vida, 
Penso se ainda serás o mesmo
Se enlouqueces de saudade, se escutas o meu nome na aragem 
Ou se tens outro alguém a quem contar cabelos brancos.
Helena Ferro de Gouveia, 18.06.2015
 
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