Viagens na minha terra (Munique)

Muenchen

“Lederhose und Laptop” (calções de pele e computador portátil): assim definem os alemães a Baviera.

Quanto aos bávaros, estes preferem a máxima  “Extra Bavariam nulla Vita, et si Vita non est ita” (fora da Baviera não há vida e se existe não é esta). Não deixam de ter um poucochinho de razão, basta visitar Munique.

Com Hamburgo e Dusseldorf, a orgulhosa capital da Baviera disputa as preferências dos ricos, super-ricos e multimilionários. A que se somam intelectuais, escritores, pintores, cineastas que fazem da metrópole atravessada pelo Isar numa das mais interessantes cidades alemãs em termos culturais, aguentando mesmo a comparação com Berlim.

Munique é conhecida internacionalmente pelas suas colecções de arte antiga e clássica. A Alte Pinakothek (com obras de Rubens, Rembrandt, El Greco, Ticiano, Dürer), a Neue Pinakothek (Goya,Gaugin, Henry Moore) e a Pinakothek der Moderne (Picasso, Matisse, Braque, Max Beckmann) são alguns dos museus de arte mais conceituados da mundo.

A capital da Baviera é um misto, uma paleta rica em nuances. Conjuga o deslumbramento das grandes cidades históricas com uma pitada de província pitoresca. Exuberância, alegria de viver e vitalidade são sinónimos de Munique.

Assim como o catolicismo profundo e o Grant, algo equiparado à fleuma britânica. Na cidade convivem palácios de contos de fadas e minimalismo arquitectónico. Se fosse uma cor, Munique seria “dourada”. Ou não fosse o barroco o estilo dominante dos monumentos.

E a cor da sua cerveja, reconhecida internacionalmente, e celebrada anualmente por mais de 6 milhões de apreciadores na Oktoberfest.

No imaginário colectivo alemão o brasão não oficial de Munique é a Mass, a caneca de cerveja de um litro, e o Brezel, o pão salgado que tradicionalmente a acompanha.

O culto da salsicha

O lado pitoresco é um bom ponto de partida para começar uma vista a Munique. Encha-se de coragem e tome um pequeno-almoço bávaro composto por uma Weissbier  (cerveja branca), salsichas brancas com mostarda doce, Brezel e, para rematar,um café. Os muniquenses levam muito a sério a tradicional salsicha – diariamente são consumidas na cidade 250 mil – e existem mesmo manuais de “salsichologia”, que explicam a forma correcta de ingerir este exemplar dopatrimónio gastronómico alemão que figura com frequência em menus ofi ciais. Por exemplo, “Der Kleine aber absolut unentbehrliche Weisswurst Knigge”, de Werner Siegert, que investigou o assunto durante 30 anos.

Reforçado, dirija-se à Marienplatz, a praça central da cidade em torno da qual se agrupam alguns dos mais importantes monumentos de Munique. A praça é dominada pelo edifício neogótico da Rathaus (construída de 1867 a 1908), mais pomposo do que interessante. A Rathaus redime-se pelo Glockenspiel. Pontualmente às 11h00, 12h00 e às 17h00, durante oito minutos, os 43 sinos do carrilhão da Rathaus tocam e grandes bonecos de madeira representam dois momentos importantes da história da cidade: o casamento de Wilhelm V e Renata von Lothringen, em 1568, e a Schaeffl ertanz, de 1517, destinada a dar ânimo à população durante a peste .

Quem quiser ver do ar a Marienplatz deve subir à torre da igreja Peterskirche, a mais antiga igreja de Munique, e se o tempo estiver bom, quase que pode tocar nos Alpes. Saindo da Peterskirche o visitante mergulha, cinco minutos mais tarde, numa das instituições de Munique, o Viktualienmarkt, quase um quadro de Arcimboldo, um mercado onde se amalgamam frutos e legumes frescos, queijos, salsichas, produtos artesanais. Não é um local barato, mas a qualidade dos produtos é excelente.

Em pleno mercado situa-se um pequeno Biergarten, um bom lugar para uma pequena refeição.

O Palácio Residenz  e o Englische Garten

A norte da Marienplatz encontra-se o esplêndido Palácio Residenz, que, como o nome indica, foi durante cinco séculos a residência e o centro de poder dos reis da Baviera, os Wittelsbachs. Recomenda-se que planeie pelo menos um dia inteiro para visitar a Residenz, um esplêndido museu de decoração interior.

Salientem-se apenas alguns pontos altos do paço, a Ahnengalerie, uma galeria decorada em estilo rococó, semelhante a uma sala de espelhos, onde estão expostos 121 retratos dos Wittelsbachs. Deslumbrantes e sumptuosos são também os Reiche Zimmer, a Nibelungen Saele (cinco salas que evocam a épica Nibelungenlied) e a Goldener Saal.

Concorre em beleza com a Residenz o Schloss Nymphenburg, a antiga residência de Verão dos Wittelbach, enquadrado por um parque em estilo francês. É um dos monumentos de visita obrigatória. O palácio foi dedicado aos prazeres campestres da deusa Flora e às suas ninfas, daí o nome.

Incompleta ficaria uma visita a Munique sem um passeio pelo Englische Garten, um oásis em pleno coração de Munique. O Englische Garten não é apenas o maior parque da capital bávara, é maior que o Central Park em Nova Iorque ou o Hyde Park em Londres. A rede de caminhos soma cerca de 78 quilómetros. Cerca de um terço do parque é composto por áreas florestais, os restante são prados e ribeiros atravessados por mais de uma centena de pontes e passadeiras.

Construído em 1789, é um dos lugares preferidos dos habitantes de Munique e oferece atracções durante todo ano.

Fique com esta sugestão de percurso. Comece pela Chinesiche Turm, uma torre de madeira em forma de pagode e um dos muitos Biergaerten de Munique. Se preferir algo mais in, vá até ao Seehaus, onde a beautiful people refresca a sede e aprecia a bonita vista sobre o lago. No Verão, podem ser aqui alugados barcos a pedais ou a remos. Quem prefira chá pode optar pela Japanische Teehaus, onde duas vezes por mês é demonstrada a cerimónia japonesa de preparação do chá. No norte do parque situa-se o anfiteatro onde no Verão se realizam concertos e espectáculos teatrais. Uma curiosidade do Englische Garten são os surfi stas do Eisbach. As ondas deste ribeiro artificial são mesmo referidas no Stormriders Guide.

Não se surpreenda se vir alguém nu a apanhar sol ou simplesmente a passear, uma vez que o Schoenfelderwiese, junto ao Schwabinger Bach, é uma zona de nudismo. Liberalitas Bavierae.

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One thought on “Viagens na minha terra (Munique)

  1. Que bela descrição! Tenho familiares que vivem à mais de duas décadas em Munique e de facto é uma zona belíssima!
    Com a crise que Portugal atravessa pondero seriamente a possibilidade de emigrar para Munique.

    Minnie

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