O reconciliador

Richard von Weizsäcker, filho de uma família de diplomatas, tinha o raro dom da palavra. Pesava-as na balança de ourives.

Nunca antes tinha acontecido na Alemanha. Por todo o país as pessoas precipitaram-se para as livrarias para comprar o livro de um político. Não um livro qualquer, mas o que continha o discurso do presidente, perante o Bundestag, a 8 de Maio de 1985. Esta intervenção, no quadragésimo aniversário do final da Segunda Guerra mudaria a Alemanha. “O 8 de Maio de 1945 não é o dia da capitulação, mas da libertação da Alemanha”. Pela primeira vez um presidente falava abertamente dos crimes do nazismo, da culpa alemã e da “graça de um novo início”.

O ex-presidente alemão, que esteve envolvido na tentativa de atentado contra Adolf Hitler a 20 de Junho de 1944, o primeiro da Alemanha unificada tornou-se numa das personalidades políticas mais respeitadas da política alemã nas últimas décadas. Durante a década em que foi chefe de Estado empenhou-se na reconciliação com Israel e com a Europa de Leste, convicto que apenas a memória e não o recalcamento da culpa assegurariam o Nie Wieder.

Fazem-nos falta políticos assim.

PS- escrevi estas linhas no aeroporto a caminho de Berlim, não lhe fazem justiça.

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