Diário de Lisboa

Escrevo sentada na Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian, um dos meus locais preferidos em Lisboa. Pela janela observo o sol luminoso espalhando diamantes na vegetação e na superfície da água lisa como um chão. Deslumbramento que contraria o calendário que onde se escreve Janeiro. Sinto-me como os cafeeiros ao peso das bagas vermelhas. Plena.

Por onde começar? Talvez pela cidade que me recebeu nestes breves com luz de artista, realçando o recorte das casas, pintando com a maciez da sumaúma as ruas da minha saudade. Ó céu está azul – azul , a luz das férias grandes. Tenho a pretensão de o Inverno ter feito uma pausa só para mim. Enquanto a Alemanha veste parka e Bona congela, aqui ando de tshirt com um casaco leve por cima. Colecciono cidades e viagens, poucas me provocam o contrair do músculo que trago no peito como a cidade cresci.

Da janela do meu quarto de hotel vejo à direita o Mosteiro dos Jerónimos e em frente o Tejo. Um poema de Paulinho da Viola, “Aquele azul/Não era do céu/Nem era do mar/Foi um rio/Que passou em minha vida/E meu coração se deixou levar”.

As imagens da meninez atravessam os meus olhos e caminham para além de mim. Devolvem-mas os olhos dos amigos que reencontrei à mesa nos Pasteis de Belém, alguns que não via há duas décadas. Mesmo passados tantos anos a amizade estava lá, intacta. Apetecia-me chorar de gratidão.

Os dias foram curtos para os encontros, os almoços e jantares com o seu cortejo de memórias e os abraços apertados.

Não quero falar apenas dos velhos amigos, mas também daqueles que atravessaram a fronteira do virtual para o mundo real. Uma delicadíssima leitora do Domadora acompanhou-me a Alvalade – onde, para tornar os dias ainda mais perfeitos, o Sporting venceu – outra leitora concedeu-me o privilégio de ter o Museu do Sporting só para mim e a minha paixão. Reconciliei-me à mesa com um amigo que zangou comigo por eu conduzir de telemóvel ligado (e aproveitar todos semáforos para ler notícias ou escrever mensagens).

Os meus amigos, os de sempre e os de agora encheram-me de mimos e a vida só vale a pena neste território de afectos. Repito, sinto-me como os cafeeiros ao peso das bagas vermelhas. Plena.

2015/01/img_1673.jpg

2015/01/img_1674.jpg

2015/01/img_1675.jpg

2015/01/img_1677.jpg

Anúncios

7 thoughts on “Diário de Lisboa

  1. Helena, muito obrigada por me ter incluído neste seu belo postal de Lisboa. Espero poder continuar a contribuir para as suas felizes recordações da nossa querida cidade! Fico muito agradecida pelas suas palavras, com votos de um até breve… aqui ou noutro local, com ou sem futebol, pois foi sinceramente um gosto tê-la conhecido! No entretanto, continue a deliciar-nos com os seus escritos! E se necessitar dalguma coisa por cá, já sabe quem contactar… Beijinhos, Felicidades

    Liked by 1 person

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s