Falemos do tempo

Abre-se o Facebook, lê-se o email ou conversa-se com amigos ou conhecidos de circunstância e lá vem ele: o tempo.
Para muitos falar do tempo é algo supérfluo, small talk para quebrar o gelo. Fiquei a pensar nisso.
Conta o Luis Sepúlveda que um dia, num encontro de escritores, um autor escandinavo se apresentou dizendo que era do frio ártico, das brumas mais espessas, da aurora boreal. A pertença a um lugar passa pelo tempo. Corre-me nas veias a luz de Lisboa e há dias em que me atravessa uma nostalgia mais compacta que o nevoeiro sobre o Tejo.

Não será este compartilhar, reclamar ou bem-dizer o tempo um recurso de aproximação? Aqui no meu sofá, lendo os status no Facebook, consigo ver os meus amigos brasileiros bronzeados, de havaianas nos pés e roupas leves, desafiando-me para um mergulho em Ipanema ou nas águas do Tapajós. Se fechar os olhos consigo até escutar o forró gostoso que lhes embala os dias e a delicada acidez do taperebá a provocar-me os sentidos. Em frente ao computador acaricio com dedos virtuais amigos que trazem dentro de si um vento mais gélido e mais assustador do que o que se esmaga contra a minha janela. Todos temos as nossas variações climáticas, uns dias somos mais ensolarados, outros nuvens de chumbo. Só através dos pormenores se pode perceber o essencial, é assim na literatura e na vida. Perceber o tempo que está onde está o outro encurta a distância.
Como está o tempo por aí?
Por cá cai uma tempestade, mas o horizonte vai desanuviar.

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