Mensagem numa garrafa

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Quando era miúda tinha uma fantasia: escrever uma carta, colocá-la dentro de uma garrafa e lançá-la na frescura transparente das águas com a esperança que alguém a encontrasse e me respondesse à mensagem. A minha mensagem nunca seguiu na hospitalidade das paredes de vidro, nem balançou nas ondas escoltada por peixes voadores, veleiros velozes e navios onde as ondas batiam com fúria no casco e varriam a popa. O mais parecido que tenho é o blogue, e quem está desse lado e que às vezes me responde.  Nunca deixo de sorrir quando há finais felizes.

Esta semana alunas de um liceu católico em Munique descobriram, no pátio da escola, uma garrafa. Dentro dela uma folha de papel enrolada, com uma inscrição em latim e a assinatura dos finalistas do ano de 1972. O primeiro nome da lista? Reinhard Marx, Arcebispo de Munique e Cardeal. O Cardeal, que antes de o ser foi  um jovem com o irrecusável dever de descobrir-se e descobrir as cores do mundo, quanto mais vivas melhores. Fascinadas pela descoberta que lhes parecia irreal as alunas do sexto ano, adolescentes da geração “i” escreveram uma cartinha manuscrita, colocaram-na ao lado da mensagem de 1972 numa garrafa e enterraram-na algures na escola.

Diz-se que a saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão e a felicidade é partilhar bocados de nós: Felicidade é o deixar partir, sem ter nunca a certeza do encontro, deliciando-se com a sua possibilidade.

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