Crónica para maiores de 18 anos

1.Não é a primeira perguntas difícil feita por ela, mas para esta estava pouco preparada. “Mami tu tens vida sexual?”. Isto antes de eu ter tomado o primeiro café da manhã. Muito bem. Nestas coisas o primeiro instinto maternal é desconversar. Optar por um movimento de recuo e fuga.”Não me digas que temos de nos despachar para a escola porque ainda é cedo”. Usando um clássico da retórica contraponho com outra pergunta: “porque queres saber isso?”. “Mami”, diz grave, “não se responde a uma questão com outra”. Touché.

Inspiro. “Sim tenho querida”. ” E era melhor antes de eu ter nascido ou agora?”. Sinto-me o Bill Clinton durante o caso Lewinski. Compêndios e toneladas de teoria psicológica não ajudam no momento de conversar sobre sexo com os filhos. “É que eu estive a fazer contas”. “Sim?”. “Pelas minhas contas tu engravidaste quando estavas de férias”. “Sim é verdade”. “Isso quer dizer que os dinamarqueses têm razão”. “Os dinamarqueses?”. “Oh Mami graças ao youtube toda a gente conhece a campanha ‘Do it for Denmark‘ (para quem não conhece trata-se de uma campanha do governo dinamarquês de estímulo à natalidade onde propõe que os casais concebam bebés durante o período das férias, porque este é estatisticamente o período onde se prática mais sexo, e em contrapartida recebem vários prémios)”. “Onde queres chegar?”. “Simples: que a vida sexual é melhor nas férias e que tu tens poucas férias. Achas que posso recomendar o vídeo à minha professora de política ? ” . Sorrio maliciosamente por dentro só de imaginar a cara da directora do colégio católico da Matilde. “Não me parece adequado, querida”. Se bem que uma das melhores invenções do catolicismo é o pecado e o arrependimento. Mais vale pecar e arrepender-se que não pecar nunca e desperdiçar a vida. Acho que vou beber café que já estou a divagar.

2. Refeita da hiperventilação, levada a pré-teen à escola, fico a pensar na pergunta. Quem pega em revistas femininas ( um vício que eu devia largar ) é confrontada mensalmente com artigos bem intencionados com o objectivo de condimentar a vida sexual. Para mulheres com filhos pequenos e não tão pequenos essas reportagens são deveras cómicas. “Faça strip-tease para o excitar”. Não se esqueça de colocar os fones de ouvido no seu companheiro para não acordar os rebentos que dormem no quarto ao lado e de trancar a porta não vá entrar alguma peste disparada “Mami quero fazer xixi”. “Não faça sexo na cama. Experimente a cozinha ou a casa de banho”. Nada como o Discovery Channel a três dimensões para matar a curiosidade da criançada ( sim porque elas sempre quiseram saber o dá nos canais de televisão bloqueados). ” O sofá é afrodisíaco use-o”, mas rapidamente, de preferência nos intervalos dos desenhos animados ou da Violleta. “Os brinquedos eróticos podem trazer mais picante à sua relação”, e também muitos embaraços “avó o que é isto? Estava no armário da mãe”.
Sexo a sério? Bom e selvagem? Sem contenção de ruído? Só em viagem, nas férias (lá está os dinamarqueses têm razão) ou quando as criancinhas deixam de o ser e passam a pernoitar em casa de amigas.
A vida recomeça aos quarenta, acreditem em mim.

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