Ao domingo

Ao domingo penso em ti,
A minha mão, a tua mão, nossas mãos entrelaçadas,
Esse estado de graça que não há no dicionário.
Olhos a interrogarem a pele. Antecipação mais-que-perfeita.
Pele feita areia onde dedos escreveram a fascinação das promessas.

Ao domingo penso em ti,
Nas horas que passei à sombra do teu sorriso,
No transbordar de carícias da tua voz.
E como reinventávamos o mundo e a criação em vez de repousar.
No princípio era o verbo e o verbo era o corpo.

Ao domingo penso em ti,
Com a melancolia dos que aceitam.
Tuas mãos enlaçarão outras mãos. Eu ficarei só, sorrindo para poder chorar.
Chorando sem o exaspero das lágrimas. A ausência não dá paz

Vou apagar do calendário o domingo e ouvir um samba do Vinicius.
“Como um adeus que nem se deu/pois seja muito feliz/Infeliz já sou eu/
Pra sofrer sofro eu”.

HFG

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