Colónia: visita guiada

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Quem gosta de coleccionar cidades, de escrevinhar em caderninhos as paixões de palmilhar as ruas, encontrar as pessoas, olhar os monumentos com os olhos grandes e a curiosidade natural das crianças, acaba sempre por eleger “o lugar”. Em Colónia, não há voltas a dar, “o lugar” é o livro de pedra, cuja silhueta domina a cidade: a Catedral

É impressionante olhar para as fotografias de Colónia, tiradas em após os bombardeamentos aliados, a cidade em escombros-  90 por cento ficou destruída, tendo demorado mais de duas décadas a reconstrução – e ver, quase incólume a Catedral.

Numa homilia lendária, no dia de São Silvestre de 1946, o então Cardeal de Colónia, Josef Frings, autorizou aos católicos, esfomeados e gelados, o roubo de alimentos e carvão. Desde essa altura o roubo de bens essenciais ficou conhecido na boca do povo como “fringsen” e a Catedral conquistou o carinho dos habitantes de Colónia, religiosos ou não.

A magistral igreja gótica é, com 6,5 milhões de visitantes por ano, o monumento que mais turistas atrai em toda a Alemanha. Embora a maioria dos visitantes entre na “Dom”, poucos se dão ao trabalho de subir à torre, isto apesar do miradouro, situado a cerca de 100 metros de altura, ter uma vista fabulosa. Se tiver pernas para isso arrisque.

Saindo da Catedral não é preciso andar muito para se chegar às principais atracções da quarta maior cidade alemã, uma vez que elas estão dispostas de modo convenientemente próximo. Quem não queira andar a pé, pode apanhar na Roncalliplatz, a praça da Catedral, o comboio turístico que percorre a cidade antiga até ao Museu do Chocolate ou até ao Jardim Zoológico.

Os dois mais importantes museus de Colónia, o de pintura contemporânea Ludwig Museum e o arqueológico Museu germânico-românico, ficam a poucos passos de distância. O primeiro expõe obras de Andy Warhol, Max Ernst, Oskar Kokoscha e Pablo Picasso e o segundo foi construído em torno do mosaico de Dionísio, datado do ano 200 d.C, descoberto em 1941 durante as escavações para a construção de um abrigo antiaéreo. Da Roncalliplatz umas escadas estreitas conduzem ao Rheingarten, o muito apreciado jardim na margem do Reno. Aqui é possível apreciar as fontes de Eduardo Paolozzi e passear a pé ao longo do Frankenwerft até ao Fischmarkt ,cujas cores lembram as praças italianas. É um dos recantos mais agradáveis para tomar uma Kölsch, a cerveja típica de Colónia, de cor clara e muito fermentado servida em copos estreitos e cilíndricos de 0,2 cl, conhecidos como “Stangen”. Esta cerveja, incluída pela União Europeia na lista das especialidades regionais, é fabricada actualmente por 24 cervejarias na cidade , segundo uma receita medieval. A cerveja era à época a bebida privilegiada pelos mais pobres porque a qualidade da água não deixava outra escolha. Kölsch é não apenas a cerveja , mas também o dialecto falado na cidade, quase ininteligível mesmo para quem tenha um bom nível de conhecimentos de alemão. É dito de forma jocosa que Kölsch é a única língua que se pode beber. Aliás a visita a Colónia ficaria incompleta sem um passagem por uma Brauhaus, por exemplo a tradicional Früh am Dom.

A vasta área ocupada pela Colónia medieval , que se estende entre a Deutzer Brücke – ponte que é imprescindível atravessar – a Grosse Budengasse e o Fischmarkt –   ficou gravemente danificada na Segunda Guerra. Muito foi reconstruído tão depressa quanto possível, mas no caso das igrejas , estas foram submetidas a um trabalho de restauro meticuloso . Para se ficar com uma ideia vale a pena ver as fotografias no interior dos templos, num exercício permanente de memória, que mostram o estado dos edifícios no final da guerra. Se não tiver tempo para visitar as 12 Igrejas românicas de Colónia , do século X ao XIII, que formam um dos conjuntos mais coerentes de um único estilo arquitectónico em toda a Europa, não dispense três delas: as extraordinárias St.Gereon, St.Maria im Kapitol e Gross S.t Martin.

Caso prefira em vez de visitar monumentos conferir um final doce, literalmente, à sua estadia em Colónia , então vá direitinho ao Museu do Chocolate , no Rheinauhafen. Ocupando uma área de 2 mil metros quadrados, o museu, instalado num edifício moderno de vidro a lembrar a proa de um navio, conta a história do chocolate, desde sua chegada da América, passando por sua adopção pelos nobres europeus, até se tornar numa guloseima democratizada .

 

PS- Porquê este post? Porque além de gostar muito de Colónia dei-me conta que pouco escrevi neste blog sobre cidades alemãs.

 

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