Book a Tiger

1. Como em tudo na vida, no Facebook também é preciso moderação no consumo. Tome-se o caso de hoje. O certamente bem intencionado algoritmo recomendou-me a página “Book a Tiger”. Tocou de imediato uma sirene na minha cabeça. Que proposta era aquela?

Desconfio do algoritmo do Facebook desde que me aconselhou vários desportos radicais. Onde é que eu ia? Ah na “Book a Tiger”. Se dei a impressão de que o assunto era “sacanagem”, sinto muito, vou desiludi-los. Trata-se uma empresa de limpeza doméstica cujos anúncios exibem um giraço de pano do pó na mão. Fiquei a pensar no assunto.

Fiz uma pesquisa em blogs e revistas e constatei que a limpeza é uma questão esdrúxula entre homens e mulheres, um palco de guerra desvalorizado. Para elas pó sobre móveis é uma tragédia comparável a encontrar alguém numa festa com o mesmo vestido, já eles consideram que a colocação da louça no interior da máquina deve obedecer a critérios científicos (claro que o aspirar por baixo do tapete é considerado um detalhe).

A definição de critérios de limpeza e arrumação da casa para muitos casais é mais obscura do que as conversas (que procuro ter) com a minha empregada do Rajastão que não fala inglês, nem alemão, nem nenhuma língua europeia (mas que me sorri com os olhos e me adivinha os desejos). Claro que para grandes males, grandes remédios. Apresento-vos Achim Wiehle, um “staatlich geprüfter Desinfektor”, ou seja alguém com curso de “desinfectador” de locais do crime. Pois bem, Achim é um obcecado pela limpeza e orientador de seminários destinados em exclusivo ao sexo masculino. O primeiro módulo dos seus bem frequentados cursos é psicologia da limpeza, segue-se a explicação dos utensílios de necessário à faxina e regras básicas como : “nunca, mas nunca fazerem limpezas juntos, dividam a casa em territórios e cada um é responsável pelo seu território”. Abençoado Tiger.

2. Por falar em território, já escrevi sobre isto no Facebook, outro palco de guerra desvalorizado é a cama de casal. Quem não passou já noites de olhos abertos porque o/a parceiro/a ressona, ou porque um tem frio e o outro quer dormir de janela aberta, ou ainda porque um quer ler na cama e o outro adormece ao fim de meia página. Uma sugestão feita por sexólogos é que o casal durma em camas separadas, reservando o adormecer em conchinha ou de mão dada para noites especiais, preservando assim a relação da rotina (e da irritação provocada pelo ronco que transforma o príncipe num ogre).

Quem oferece maior resistência às camas separadas são habitualmente os homens que sentem a sua masculinidade questionada quando as companheiras não querem “dormir com eles”. Como o meu sono é pesadíssimo, adormeço com facilidade e tenho quarto de hóspedes, não formei opinião sobre o assunto, mas lembro-me das palavras, pragmáticas, de uma amiga “enquanto ele ressona eu sei que ele está ao meu lado”.

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