Good Morning, Vietnam

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Quis o destino, que é um brincalhão, que isto acontecesse. Esta é uma crónica exemplar (só não está é muito claro qual é o exemplo). De toda a forma, mantenham-na longe das crianças. Não, não tem nada ver com a tragédia sportinguista no campeonato, o trabalho infantil, ou crise no Médio Oriente. É uma história que situa no terreno trivial das aflições dos desatentos. Bem, comecemos por descrever o protagonista, que não é fictício.

É um dilf – mas isso tem pouca importância para história – e uma das mentes mais brilhantes que conheço. Das poucas capazes de explicar ao jantar, em alemão, as leis da termodinâmica aplicada e falar de vinho expressando-se mandarim. É descontraído (“houve um golpe de Estado na Tailândia, os preços dos voos estão óptimos. Vou lá passar o fim de semana, não te preocupes”) e meticuloso como poucos, “Ordnung muss sein”, (a ideia de partir para férias sem uma tabela de Excel com o planeamento detalhado dos dias ou de jogar bilhar sem aplicar as leis das física, causa-lhe mais calafrios do que mergulhar e se ver cercado por tubarões e mantas, sim já aconteceu, há provas documentais).

A descrição não seria fiel se não lhe acrescentasse o ser totalmente desprovido de sentido prático (visualizem uma carta com receptor e remetente trocados, uma criança com a roupa vestida do avesso, ou um documento que deveria ter selos fiscais ornamentado com belíssimos selos do correio).

Domingo, estava eu a preparar a próxima viagem para a Bolívia, quando recebo através do Facebook a seguinte mensagem: “estou com pequeno problema”. Sim? “Vim a Ho Chi Min este fim-de-semana”. Sim? “E agora estou retido”. Como? “É um detalhe em que não reparei. O passaporte tem cinco meses e vinte dias de validade. Quando entrei na Malásia e no Vietname era válido, mas agora não me deixam viajar para Europa”. E porque não fazes um passaporte de emergência? “O cônsul é uma miúda alemã que não tem competência para tratar disso e a Embaixada mais próxima fica na Tailândia”.

Pego no telefone. Chamadas para cá, telefonemas para lá: “a única solução é um passaporte de emergência para não estar ilegal (gluppp) no país”. Mas, como tratar do passaporte na Tailândia se não é possível deixar o Vietname? “Para essa pergunta não tenho resposta”.

Abro o Facebook esta tarde. “Não te preocupes. Já estou na Business Lounge”. Como? “Simples, passei pela entrada das tripulações”. Explica, por favor! “Com poker face e a ajuda de um “especialista de fronteiras” – que falou com o balcão de check-in da companhia aérea, que fez por não reparar na data do passaporte – e de um oficial da polícia vietnamita que me passou pelo controlo de passaportes. Não te posso dar mais detalhes”. Nem eu quero saber. Juro.

E agora como é que eu explico às minhas filhas que o pai, tão austero e circunspecto, é o James Bond?
A vida nunca para de nos surpreender.

PS – Ai, a próxima vez que o pai das minhas filhas se queixar que eu perdi um avião está tão, mas tão tramado.

(Depois de ter escrito isto um arrepio percorreu-me a espinha:estamos conversados quanto à segurança no aeroportos)

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2 thoughts on “Good Morning, Vietnam

  1. Sem saber o desfecho do caso, disse a um colega e amigo meu (juro que disse): ele vai furar a segurança do aeroporto. Juro que disse, e despreocupei-me…😈

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