Óbvios de estimação

 As rotinas têm o seu quê de tranquilizador. Saborear o cappuccino pela manhã  é uma das minhas rotinas. Abrir o jornal é o exercício de rotina que o acompanha. Os olhos passam mais ou menos atentos pelas páginas, pelo mundo em desalinho. Cronos não ajuda. Os pensamentos fluem leves, brandos, desarticulados. Até que a realidade aflorada ao de leve nos arrasta como uma vaga e nos desperta. Hoje quem me despertou foi uma notícia sobre a Associação Alemã dos Tradutores. Pois bem, a partir de hoje esta associação disponibiliza, gratuitamente, online um banco de dados  a tradução de “Feliz Natal” em 75 línguas, das línguas europeias ao swahili. “Este é o nosso pequeno contributo para o entendimento dos povos”. Fiquei a pensar na suavidade deste pequeno gesto e comecei a trilhar o caminho para o Natal.

Confesso que sou excêntrica, anacrónica e analógica: adoro escrever e receber postais de Natal, nostálgica da alegria de esperar pelo carteiro e desses dias em que a caixa de correio se enchia de envelopes manuscritos com estampilha e carimbo. Gosto das imagens associadas ao Natal e dessa rotina que é sentar-se à mesa, tranquilamente, rodeada por postais coloridos que evocam afectos, percorre-los num afago com a minha letra redonda e depor-lhes toda a saudade e carinho que trago comigo. Certas repetições são sublimes, são os nossos óbvios de estimação. E mesmo sendo repetições, rotinas,  são sempre inéditas.


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