Peque sem culpa

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Feche os olhos. Deixe um quadradinho de chocolate negro derreter-se contra o céu da boca, enlaçar-se na língua.  Peque sem sentir culpa. A ciência absolve-o.

Segundo uma investigação da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, os flavonoides, compostos presentes no cacau, principal componente do chocolate, podem reverter danos na  memória visual que ocorrem naturalmente com o envelhecimento. Deve ser por isso que tenho uma memória de elefante.

Quando viajo e por algum motivo sinto medo ou ansiedade concentro-o todo nesse pedaço de chocolate, que me dá o conforto, a segurança de casa. Quero reduzir a dor  da ausência? Chocolate. Expressar afectos? Chocolate. Só conheço dois prazeres  comparáveis (bem, três se contarmos os beijinhos no pescoço) : um cappuccino italiano – com a espuma na consistência certa, sem demasiado leite e com um bom café de base,  sem ser ao pequeno almoço – e  um livro.

Naqueles dias  madrasta, quando estou parada no trânsito e  cogito planos para fugir para paraísos quentes (está quase), desligar o iPhone para sempre, atirar às urtigas a política de desenvolvimento e converter-me ao budismo,  vale-me o porta-luvas e a sua reserva secreta de chocolate negro. Que seria de mim sem estes pequenos prazeres?Vita Brevis. Claro que,  como em quase tudo na vida os pormenores, são a substância. Abismos separam um Kit-Kat de um Godiva ou um Bounty de um Valrohna.

Voltando à ciência. Uma das mais impressionantes relações do chocolate com a melhoria da cognição foi pesquisada pelo cardiologista suíço Franz H. Messerli, que associou a ingestão de chocolate à conquista do prémio Nobel, num artigo  publicado no New England Journal of Medicin. De acordo com esta investigação existe uma ligação entre o consumo de chocolate e o índice de prémios Nobel per capita. “Está provado que o consumo de chocolate melhora as funções cognitivas. O chocolate cria um terreno fértil para o surgimento de indivíduos que possam chegar a ganhar um prémio Nobel. Foi possível observar uma correlação expressiva entre o consumo de chocolate  por pessoa em cada país e o número de premiados com o Nobel, por cada dez milhões de pessoas, num total de 23 países”. Fascinante.

Façam-me o favor de pecar.

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