Ainda os homens

O episódio conta-se numa penada. Um grupo de judeus ultraortodoxos, homens, provocou um atraso considerável num voo entre Telavive e Nova Iorque pelo simples motivo de um dos membros do grupo se ter recusado a viajar ao lado de uma mulher. Depois das assistentes de bordo terem recusado – ah grandes mulheres – trocar os lugares os homens abandonaram o avião.

Este não é o primeiro incidente deste tipo a bordo da El Al, em Setembro deste ano, vários passageiros ultraortodoxos aceitaram apenas sentar-se ao lado de mulheres para a descolagem e aterragem, passando as restantes horas de voo em pé no corredor, para não “se contaminarem com a impureza feminina”. Neste momento decorre uma petição online para que a El Al ponha fim a secularização e disponibilize “áreas puras” apenas para os desgraçados que não resistem à tentação de uns cabelos, de um regaço ou de um pedaço de pele descoberto .

Podemos continuar a fingir que esta tentativa de apartheid não é importante com a complacência e a inércia do costume, mas acho que há razões para nos importamos.

Que no século XXI se olhe para metade da humanidade como algo sórdido, fonte de “pecado” e que a  bem da virtude, da tradição ou  da religião  – a lista de prerrogativas é extensa e sempre declinada no masculino – se  dilacere a dignidade  importa-me e muito. A ideia de separação entre mulheres “impuras” e homens “guardiões da virtude” é ofensiva e não quero engolir a raiva em silêncio.

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