Uma questão superlativa

A noite toma amiúde formas assustadoras quando se é criança. Esta noite a Matilde dormiu na minha cama procurando o abraço grande e redentor da Mami e encostando palma com palma os pézinhos.

Pela manhã sacudiu-me o torpor do despertar com beijinhos doces, mais doces do que aqueles que se vendiam em cones de papel na mercearia da minha infância e eu que eu deixava derreter lentamente contra o céu-da-boca, enquanto a minha mãe comprava café e pedia que lhe pesassem bolachas.

Reclamando a minha atenção em fase pré-cafeína diz: “sabes uma coisa Mami? És a pessoa mais importante da minha vida. Se assaltassem a nossa casa defendia-te dos ladrões, se houvesse um fogo salvava-te”. Não resisto à provocação: “ e se fosse uma aranha, querida?”. Dependurou um sorriso no rosto: “também não é preciso seres superlativa”.


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