Porque é que as mulheres querem falar sempre sobre tudo?

O que pode dizer a um homem após o sexo? O que se quiser. Ele está a dormir. A piada é recorrente entre terapeutas e é um raio X daquilo que distingue homens e mulheres.
No caso das mulheres o ser-se íntimo de alguém envolve partilha. As mulheres não se sentem bem na solidão acompanhada. Para elas a palavra emoldura a intimidade. Mais – ou tanto como – do que as mãos escaldantes do homem que desejam e lhes percorrem os vales do corpo, as mulheres querem conversar, analisar, dar contornos. A palavra é o fio do colar onde se vão compondo as contas. Nela flutua a carícia e se constrói a ternura que, como escreveu Inês Pedrosa, é a “mais lenta das ciências, e a mais essencial”.
Para a maioria das mulheres é incompreensível que a paixão demonstrada (e verbalizada) pelos homens, o sentimento que desnudam pela sua equipa de futebol, não seja a mesma quando se trata de expressar um sentimento por elas. Seja ele o fugaz e devorador desejo ou um grande amor. Nenhuma mulher consegue lidar bem com a concorrência desleal do Sporting.
Uma mulher só se sente amada, querida, se sentir que o homem que partilha consigo o momento tem um interesse real pela sua vida, que se lembra do que lhe contou no mês passado. Que conversa com ela. A palavra é um fruto, na medida é madura e delicia, na escassez deixa um amargo na boca. Atenção homens: nenhum emoticon, nenhum gatinho ou mensagem mais ou menos requintada, enviada pelo Facebook, whatsapp ou pelo Skype substitui a conversa.
Não há forma simples de entender a equação do amor, da paixão ou de um simples caso entre uma mulher e um homem. Arrisco-me a dizer que só a palavra o permite desfrutar em pleno, viver intensamente, ou pôr-lhe fim. Depois de ter desabado sob um corpo, a mulher precisa que lhe digam se foi viagem de bilhete único, se é lua em quarto crescente, ou uma foda ocasional. A palavra abre os amplos territórios do amor, cerceia os do caso e alimenta nossa a vocação de proteger e cuidar.
A ausência das palavras de alguém de que se foi íntimo, a falta de um ponto final na história fere mais do que o abandono, a traição ou a privação da pele do amante. Para fazerem o luto de uma relação as mulheres precisam de um verbo: acabou.
Há uma explicação científica para esta necessidade feminina de falar: o cérebro da mulher tem a capacidade de sem esforço produzir entre seis a oito mil palavras faladas, o de um homem entre duas a quatro mil. Se uma mulher conversa muito com um homem é porque este agrada, se não tiver interesse nele simplesmente ela mantém o silêncio. Estranhos seres, nós mulheres.
As mulheres hoje mudam pneus, atravessam desertos, vão ao futebol sozinhas, escolhem com quem se deitam, não precisam “do homem”, mas, adaptando William Blake, “ao pássaro, o ninho. À aranha, a teia. À mulher, a palavra”.

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