Sexo e afins (não menos importantes)

1.Comecei a manhã a ler no Süddeutsche Zeitung os resultados de um estudo. Esse estudo psicológico demonstrava que apesar do treino específico os polícias de fronteira, esses seres temíveis que nos fazem esperar horas em filas no aeroporto, são incapazes (sete em cada dez casos) de identificar um rosto, ou melhor, de verificar a correspondência entre a fotografia no passaporte e a pessoa à sua frente. Ter polícias ou estudantes universitários nas fronteiras pouca diferença faz é a conclusão do estudo.
Se isto acontece com o visível, com o que mais nos distingue, o nosso rosto, que dizer do mundo invisível que se acoita dentro de todos nós?
Quanto tempo investimos a olhar para outros? A penetrá-lo com sensibilidade atenta ao pormenor, à vida íntima. A descobrir-lhe a fragilidade, os abismos ou a beleza, os momentos lunares e aqueles em que se reinventam como possibilidade? Nada é mais transformador para nós que a experiência polifónica, caleidoscópica, do outro. Nada é mais transformador para o outro do que perceber-se extraordinário, único e não vulgar. ”Se procurar bem você acaba encontrando./Não a explicação (duvidosa) da vida,/Mas a poesia (inexplicável) da vida”.
Se na vida houvesse aquele ambíguo “volto já” faria uma pausa. Não para hibernar mas para explorar.

2. Num passeio pela aldeia do Facebook deparo-me com uma fotografia do Cristiano Ronaldo, Apolo fabuloso em calções de banho, correspondendo ao desafio do Ice Bucket que há semanas agita o mundo digital. Há poucos exemplares do sexo oposto que sejam, fisicamente, mais perfeitos (com excepção do Clooney, Zeus no Olimpo dos homens bonitos e intocáveis). Pergunto-me se só a perfeição física não será um profundo tédio? Sei que alguns amigos homens responder-me-iam que não, a minha perspectiva é todavia outra.
Bons livros, boa mesa, bom sexo , não necessariamente por esta ordem, sempre estiveram interligados na minha vida. Músculo sem cérebro não me arrepia, não me põe em pé os cabelos dos braços. Agora existe algo mais afrodisíaco do que uma boa conversa, mais ainda se esta for bem humorada, ao jantar?
Homens bonitos, mas sem neurónios são como o iPad, agradáveis ao toque e à vista, incompletos quando comparados com um livro, com cheiro e toque de livro.

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