Diário da Copa – o regresso

A última vez que andei de montanha russa foi em 2012, por insistência da minha filha, na Giant Deeper, no Boardwalk da praia de Santa Cruz. Saí de lá despenteada, sem voz, com a impressão que aqueles segundos de cabeça para baixo duraram no mínimo um século e com uma forte convicção: para montanha russa já basta a vida.

Vejamos. Quer ter a sensação que a cabeça irá explodir a qualquer momento? Entre num avião da Lufthansa no percurso São Paulo-Frankfurt depois da Alemanha ter sido campeã na Copa. Verá adultos, habitualmente circunspectos ou sisudos, mascarados de torcedores, hospedeiras de bordo com unhas pintadas de negro, amarelo e vermelho, de colares havaianos ao pescoço e um nível de decibeis superior ao do Maracanã.

Não costumo ser chata, menos ainda com os homens por quem tenho uma condescendência até suspeita. Porém, qualquer pessoa que viva na Alemanha sabe que quando Deus criou o mundo, criou o silêncio e que sem ele a civilização é impossível. É verdade que levamos algum tempo para nos habituarmos a locais públicos tão animados como o Dorotheenstädter Friedhof (cemitério onde se encontram Hegel e Brecht). Agora imagine que está sentado na última fila do maior avião da Lufthansa, quer rever Casablanca, uma vez que não consegue dormir, nem ler, e a torcida toda veio fazer a festa, literalmente, atrás do seu assento. Pior, dá por si a trautear mentalmente “mil gols, mil gols, só Pelé, só Pelé, Maradona cheirador” e não “moonlight and love songs never out of date,/hearts full of passion, jealousy, and hate;/ woman needs man and man must have his mate,/ that no one can deny”. O futebol é um vírus.Contagioso.

Quer desvios vertiginosos? Experimente tentar ir à casa de banho por entre a torcida, é mais difícil do que meter um golo ao Neuer.

Quer sobe e desce? Nada como as habituais turbulências sobre o Atlântico (bem abençoadas sejam que silenciaram os ruidensis-homo-futebolensis).

Quer o coração quase a sair pela boca? Basta o abraço da Joana – perdoem-me a inconfidência, que veio esperar a Mami um ramo de rosas tão épico como os sete a um no Mineirão – e a parva da cadela a saltar para o porta-bagagens de trela na boca, com um olhar tão meigo como o David Luiz.

Para sofrer, ter emoções fortes e divertir-me basta-me a vida (leram bem isto filhotas queridas?).

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