Diário da Copa – Rebelião da alegria ou como o Brasil já venceu a Copa

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O Brasil já ganhou a Copa. Passo a explicar. Eu estava entre aqueles milhões de brasileiros que se emocionaram quando o Brasil derrubou o Chile nos penáltis. É  verdade que o coração é o nosso músculo mais forte, mas as decisões por penálti deviam ser proibidas pela Convenção de Genebra. A força das duas “paradas” de Júlio César só poderá ser dimensionada daqui a uns dias, em campo, porém já se pode afirmar que é  esta a melhor Copa de sempre.

David Ranc, sociólogo da Universidade de Cambridge, escreve que o Mundial no Brasil está melhor organizado que os Jogos Olímpicos de Londres. Ranc defende que os europeus devem “mudar de atitude em relação aos países emergentes e em vias de desenvolvimento” e acabar com a visão “condescendente do Norte em relação aos países do Sul “. Outro sociólogo, Albrecht Sonntag, coordenador do projecto “Football Research in an Enlarged Europe”, em entrevista ao  jornal Estado de São Paulo, considera que “o Brasil é um ponto de não retorno na história dos Mundiais de Futebol. Em direcção a mais responsabilidade, mais abertura, mais transparência, mais responsabilidade”.

 “O Brasil é um país onde manifestantes, a maioria pacíficos, defendem ideias justas: justiça social, igualdade de oportunidades, fim da corrupção (…) Sabíamos que o Brasil era óptimo em fazer festa e nao precisávamos da Copa para o saber. Hoje constatamos também que é uma democracia que vive um pluralismo de ideias essencial”, afirma Albrecht Sonntag.

Estamos a meio da Copa e a euforia é palpável. Quase como numa novela da Globo a Copa tem tido uma dramaturgia bem doseada. Comecemos pelas tragédias iniciais: a Espanha campeã em título, a Itália, a Inglaterra, Portugal eliminadas na fase de grupos. Os heróis inesperados: alguém em seu perfeito juízo teria previsto que a Costa Rica nos encantasse? Que Barack Obama se tornasse cheerleader-in-chief? E que dizer da dentada de Suarez ou da mímica de Miguel Herrera. Há que referir o guarda-roupa: parece não haver limites para a fantasia. E o mais importante: a festa de golo. O Brasil 2014 tem uma média de 3,5 golos por jogo,  o que não se via desde 1958 na Suécia, quando o avançado francês Just Fontaine marcou 13 golos, sete mais que o rei Pelé.

Por último, o estereótipo confirma-se: a farra , tal como Deus, é brasileira. A Copa virou “Carnacopa”.  É a rebelião da alegria.

Mesmo que o Brasil não chegue ao Maracanã, improvável hipótese, já ganhou a Copa. O mundo brasilifica-se.

 

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One thought on “Diário da Copa – Rebelião da alegria ou como o Brasil já venceu a Copa

  1. Excelente observação sobre a copa no Brasil. Sinto-me demasiadamente feliz e orgulhosa pelo meu país está mostrando que aqui somos muito hospitaleiros, e que apesar de todas as mazelas que enfrentamos não perdemos o brilho no olhar e a alegria. Avante, Brasil. Abraços.

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