Você acorda de manhã assim:
Vê-se ao espelho de manhã e tem uma epifania: o pai das suas filhas anda a dormir com outra! Refeita do choque, abre bem os olhos, fixa-os no espelho e nota que não é outra gaja, mas alguém parecido consigo. Upss, é você mesma, só que por alguma razão misteriosa acabou de entrar naquela terra mítica chamada “Ternura dos Quarenta”. País outrora habitado apenas por pessoas uncool como os nossos pais e onde a lei da gravidade faz jus ao nome: é bem mais grave. Gluppp. Você precisa de um cappuccino.
Você chega ao trabalho e pensa que o fundo do poço é apenas uma etapa. No seu gabinete três colegas falam simultaneamente ao telefone. Polifonia em árabe, francês e inglês. Líbia, Tunísia, Uganda do outro lado da linha. Você precisa de um cappuccino.
Entra o responsável pela segurança da empresa e olha para si assim.
“Tudo bem? Já leste o que te enviei ?”. Espera atentamente pela resposta como se deixado cair uma moeda para o fundo de poço e esperasse ouvir o “bling” do embate. Well, depois do briefing de segurança para o Mundial no Brasil, que só não abrangeu erupções vulcânicas, terramotos e ataques de marcianos – é melhor não lhe dar ideias – fiquei muito, mas muito mais tranquila, not.
Sentada à secretária, já semi-insconsciente – ainda não tomei o cappucino do dia e o chá de coca, que contrabandeei da Bolívia é, como aqueles gajos giros que estragam tudo quando abrem a boca, uma promessa incumprida – entre tabelas de Excel, relatórios, contratos e estratégias, mea culpa ter trocado o jornalismo pela política de desenvolvimento, recebo a informação que o meu visto para Moçambique só chega amanhã, sábado. O meu voo é no domingo. Inspira, expira. Nervos e mais nervos. Como é possível seguir uma dieta assim?
Você dá-se conta que as semanas até ao final do ano são demasiado curtas.
Desde Fevereiro que ando em viagem. Pousar o olhar sobre a agenda revela-me, vou dizer devagarinho, Moçambique em Março (check). Bolívia em Abril (check). Moçambique em Maio (check). A Copa? Todinha no Brasil.
Parece que estou a viver dentro de um livro, num dos meus preferidos, o atlas. Quem precisa de um cappucino?
(Bem, não exageremos).




Cheguei a ter um susto! :-))
Boa viagem!
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